Flávio Bolsonaro destinou R$ 442 mil em auxílio-alimentação a Queiroz e familiares

23 de agosto de 2020 50

De Juliana Castro no Globo.

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) destinou auxílio-alimentação a Fabrício Queiroz e familiares, além de parentes do miliciano Adriano da Nóbrega que foram empregados por ele enquanto era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O Ministério Público do Rio (MP-RJ) suspeita que parte desses ex-assessores eram funcionários fantasmas. Queiroz, sua família, a ex-mulher e a mãe de Adriano receberam, juntos, ao menos R$ 442,8 mil.

 

O auxílio-alimentação é depositado diretamente na conta do servidor, sem registro ou desconto nos contracheques. Por isso, esse dinheiro não aparece, no setor de transparência da Assembleia, como parte dos salários que eles recebiam. Queiroz está no centro da apuração sobre a suposta prática de “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro, também investigado. O GLOBO só obteve os registros de quanto cada um ganhava mensalmente “por fora” do salário porque entrou com um pedido de Lei de Acesso à Informação.

Além de Queiroz, receberam auxílio-alimentação sua mulher, Márcia Aguiar, suas filhas, Nathália e Evelyn, e a enteada, Evelyn Mayara. Eles receberam ao menos R$ 338.172,80, mas o valor pode ser maior porque a Alerj só tem informações sobre o benefício por pessoa a partir de 2011. Queiroz, Márcia e Nathália foram nomeados para o gabinete de Flávio bem antes, em 2007. Há meses em que o benefício de Queiroz chegou a R$2.740,50, valor que se somava à remuneração. 

 

Desde que foi nomeado para o gabinete de Flávio Bolsonaro, Queiroz conseguiu garantir uma onipresença de familiares na Alerj. Quando um parente dele era exonerado, outro entrava no lugar. Nathália deixou de ser funcionária da Alerj em 13 de dezembro de 2016. Nessa mesma data, foi nomeada para o gabinete de Flávio a irmã dela, Evelyn. Quando a mulher de Queiroz foi exonerada, em setembro de 2017, a filha dela e enteada do ex-assessor, Evelyn Mayara, foi nomeada. Assim, salários da Alerj e também auxílio-alimentação ficavam na família.