Frei Betto diz que Bolsonaro é cúmplice de genocídio no Brasil
Da Prensa Latina:
O renomado escritor e teólogo da libertação brasileiro Frei Betto chamou o governo Jair Bolsonaro de cúmplice do genocídio no Brasil, onde mais de 75.000 pessoas morreram da pandemia de Covid-19. “Todas as medidas para proteger a vida dos mais pobres estão sendo completamente desmanteladas em uma política intencional de genocídio” pelo governo de extrema direita, disse Betto durante uma entrevista ao portal de notícias Brasil de Fato.
Ele considerou que o exposto acima foi exemplificado nesta semana, quando Bolsonaro vetou “as disposições da lei de precauções de saúde, que previa a doação de máscaras a pessoas na prisão”. Ele aludiu a Cuba e ao Vietnã como países que adotaram as medidas preventivas necessárias para proteger a população das calamidades da saúde.
‘Não aqui. Aqui, de fato, o governo é cúmplice do genocídio e dessa matança ‘, reiterou o frade dominicano. Para Betto, assessor da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, o fato de milhões de brasileiros estarem à beira da pobreza é resultado do desmantelamento das políticas e mecanismos de proteção social que tiraram o Brasil da Mapa da fome.
“É óbvio que o que nos levou a alcançar essa marca foi a falta de uma política de segurança alimentar do governo Bolsonaro, considerando o genocídio que está ocorrendo neste país, principalmente devido ao surto do novo coronavírus”, afirmou. A palavra Bolsonero é uma referência ao imperador romano Nero, que entrou na história por ter incendiado Roma.
‘É muito difícil para o Brasil ficar fora do Mapa da Fome. Estamos em uma situação séria. A única solução hoje, como foi adotada agora na pandemia, é a mobilização social. Isso tem que ser intensificado. Como Betinho (falecido sociólogo Herbert de Souza) disse, a fome está com pressa ‘, disse Betto.
Ele pediu que, quando a pandemia terminar, saia às ruas para expressar insatisfação e tentar mudar esse cenário político. “Não há como pensar na possibilidade de viver com um governo genocida por mais dois anos e meio”, destacou o teólogo da libertação.