Frigorífico tenta, sem sucesso, derrubar preço; boi gordo vale 240@

1 de novembro de 2023 50

Com a virada do mês acontecendo, analistas apontaram que o mercado físico do boi gordo encerrou o mês de outubro com estabilidade em seus preços em grande parte do país, ponto positivo para o pecuarista que viu suas margens de lucro serem defasadas ao longo de todo o ano.

Dessa forma, segundo o analista da Safras e Mercado, Fernando Iglesias, a estabilidade foi resultado do equilíbrio entre oferta e demanda. “O mês de outubro foi um mês em que o mercado do boi atingiu o que a gente pode chamar de ponto de equilíbrio”, diz.

Boi gordo em 31 de outubro

Conforme apontaram as consultorias, o mercado físico do boi gordo voltou a apresentar tentativas de compra abaixo da referência média no decorrer da terça-feira (31), em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Sendo assim, os frigoríficos tentam exercer pressão mesmo sem grande avanço das escalas de abate no decorrer desta semana mais curta.

“Como fator de suporte precisa ser mencionado a demanda de carne bovina no mercado interno durante o último bimestre, período pautado pelo auge do consumo, considerando a entrada dos salários na economia como motivador da reposição ao longo da cadeia produtiva. Vale mencionar que o feriado prolongado pode quebrar o ritmo dos negócios”, disse o analista Fernando Henrique Iglesias.

Segundo a Scot Consultoria, as indústrias frigoríficas estão com escalas de abate para mais de 5 dias e em função disso, as cotações não mudaram na comparação dia a dia. Sendo assim, a arroba do boi está precificada em R$235,00, a da vaca gorda em R$218,00 e a da novilha gorda em R$227,00, preços brutos e a prazo.

O “boi China” – animal jovem abatido com até 30 meses de idade – está sendo negociado em R$240,00/@, preço bruto e a prazo. Ágio de R$5,00/@ em relação ao boi comum. Segundo a Agrobrazil, app parceiro do Compre Rural, o pecuarista de Pereira Barreto, interior paulista, informou negociação de seus animais padrão China no valor de R$ 235,00/@ com o pagamento à vista e abate programado para o dia 16 de novembro.

De forma resumida, repetindo o comportamento visto no primeiro dia desta semana, a terça-feira (31/10) foi de poucos negócios no mercado físico do boi gordo, informa a S&P Global Commodity Insights. Segundo a S&P Global, o mercado nacional ainda opera com baixa disponibilidade de boiada gorda, uma vez que o desempenho do segundo giro de confinamento foi bem aquém do esperado.

Preços da arroba do boi gordo pelo Brasil, segundo Safras&Mercado

São Paulo: Foram evidenciadas tentativas de compra abaixo da referência média ao longo do dia. As negociações no estado se concentraram entre R$ 230 a R$ 240/@ a prazo, com predominância de negociações ao nível de R$ 235/@ a prazo.

Minas Gerais: Novamente foi evidenciada a manutenção do padrão dos negócios. No triângulo mineiro foram relatados negócios em até R$ 235/@ a prazo.

Goiás: Preços firmes no decorrer da segunda-feira. Indicação de negócios no sudoeste do estado entre R$ 225/230/@ a prazo.

Mato Grosso do Sul: Novamente foi evidenciada queda das cotações, as escalas não estão confortáveis no estado neste momento. Em Naviraí relatos de negócios a R$ 225/@ a prazo. Na região de Nova Andradina também foram relatados negócios a R$ 225/@ a prazo.

Mato Grosso: Foram relatados negócios abaixo da referência média no decorrer da terça-feira. Na região de Cuiabá indicação de negócios a R$ 210/@ a prazo. Em Alta Floresta indicativo de negócios a R$ 206/@ a prazo.

Boi gordo. Foto: Nelore Estrellita

O que esperar do mercado?

Porém, é possível que, com a virada de mês, haja uma melhora na demanda pela proteína bovina, estimulada pela entrada dos salários na conta dos trabalhadores. Do lado de dentro das porteiras, muitos pecuaristas continuam segurando os lotes de boiadas prontas, em uma tentativa de barganhar preços melhores neste período final de entressafra.

Na B3, os preços dos contratos futuros do boi gordo estão mais fracos, efeito de movimentos de liquidação de posições depois das altas acumuladas nas semanas anteriores, informa a S&P Global.

Quanto a oferta de boi gordo, houve um aumento no número de animais confinados disponíveis no mercado, permitindo que os frigoríficos ampliassem suas escalas de abate. Já do lado da demanda, o mercado interno vive um momento de pico no consumo, sustentando os preços da carne.

No cenário das exportações, Brasil mantém exportações robustas de carne bovina no cenário global. Contudo, os preços internacionais atuais são inferiores aos do ano anterior. Sendo assim, as perspectivas para o futuro da arroba do boi, segundo os analistas, é de estabilidade no mercado de boi gordo para o restante do ano, mas com uma possível elevação no valor da arroba.

 

Fonte: COMPRE RURAL