Governo Bolsonaro vê risco de ato pela educação afetar apoio ao texto da Reforma da Previdência

21 de maio de 2019 140

Reportagem de Talita Fernandes na Folha de S.Paulo informa que os protestos que tomaram as ruas de ao menos 170 cidades do país na semana passada contra os cortes no Ministério da  Educação geraram um alerta no governo sobre a possibilidade de professores direcionarem a mobilização contra a reforma da Previdência. Considerado projeto essencial para o sucesso da economia pelo governo Jair Bolsonaro (PSL), a reforma com mudanças nas regras de aposentadorias e pensões tramita em comissão especial da Câmara. Auxiliares de Bolsonaro monitoram a possibilidade de profissionais da educação ampliarem a articulação da quarta-feira passada (15) para criar novos focos de protestos. Mobilização já começou a ser convocada para o dia 30 de maio.

De acordo com a publicação, o governo monitora tanto a possibilidade de protestos nos estados, o que atinge diretamente os governadores, e que pressiona indiretamente a União, quanto nos arredores do Congresso nos dias em que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) for submetida à votação no Legislativo. A preocupação se deu pelo motivo de terem aparecido nas ruas cartazes contra a reforma da Previdência e pelo fato de os professores serem vistos como uma categoria bem articulada no país.

Embora o Palácio do Planalto evite demonstrar publicamente estar em alerta sobre a possibilidade de a insatisfação gerada pelos cortes do Ministério da Educação se espalhar, nos bastidores esse é um cenário estudado pelos auxiliares do presidente. O número de manifestantes, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, surpreendeu o setor de inteligência do governo, que esperava que os protestos sofressem uma redução ao longo do dia, na quarta, completa a Folha.