Guedes está deprimido e deve sair em breve do governo, avaliam aliados
Do Financial Times:
Paulo Guedes passou boa parte de seu primeiro ano como ministro das Finanças do Brasil, expondo a necessidade de reformas liberais e ajuste fiscal. Em um país atolado em dívidas e inércia, foi uma plataforma que lhe rendeu elogios internacionais. Então o coronavírus chegou.(…)
O ex-ministro estelar está sendo forçado a reconciliar sua identidade de “Chicago Boy” do livre mercado com a necessidade de uma intervenção maciça do governo. Em meio a relatos de que ele está sendo afastado dos projetos devido à sua hesitação em gastar, os analistas estão questionando quanto tempo ele permanecerá no cargo.(…)
“Não tenho dúvidas de que o ministro está sofrendo angústia porque está tomando medidas contrárias às suas convicções, sua alma”, disse Tadeu Alencar, um parlamentar do Partido Socialista Brasileiro, que se encontrou com o ministro nas últimas semanas. “Suas convicções profundas não mudaram diante da crise.”
É um sentimento ecoado por Jose Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, que afirma que a resposta do ministro Guedes à crise foi “lenta” e “parcial”. “Eles não têm perfil para fazer políticas expansionistas. E eles não querem. Com o evidente fracasso da política fiscal que se materializará este ano, não acho que Paulo Guedes possa cumprir esse mandato. Ele poderia sair este ano”. (…)“Eu acho que ele está um pouco deprimido. Tudo o que ele acredita está afundando”, disse um funcionário que se encontrou com o ministro recentemente.(…)
“Ele está lamentando que o Brasil esteja começando a desenvolver uma estrutura em sua organização econômica e isso não vai mais acontecer”, disse Elias Vaz, parlamentar. “Está claro que ele está deprimido que toda a sua agenda foi comprometida.”
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