Incoerência

7 de janeiro de 2020 70

Um personagem de uma peça de Shakespeare afirma que, para promovermos a justiça e o progresso social, a primeira coisa a fazer seria matar todos os advogados que defendem criminosos. Nunca gostei do juridiquês, os arrazoados inventados para esconder a verdade dos fatos, promovendo a impunidade do acusado. O autor da emenda que tenta criar  a figura do juiz de garantias afirma que "Não foi resposta ao Moro" (rev.Veja: 8/1/2020), mas salvaguarda da imparcialidade jurídica.

            Se entendi bem, para proteger acusados de corrupção, estão querendo instituir dois juízes de primeira instância, um para corrigir o outro, antes de um processo alcançar a segunda instância, onde um colegiado julgaria as sentenças monocráticas dos dois juízes, sem prejuízo de mais recursos a tribunais superiores. O ministro Sergio Moro vetou tal absurdo, mas Bolsonaro derrubou seu veto. Vai entender: o Presidente desautoriza seu ministro da Justiça, ao mesmo tempo em que o convida para integrar a chapa Bolsonaro-Moro que considera imbatível na eleição presidencial de 2022. O filósofo francês Ernest Renan estava certo ao afirmar que a única coisa que nos dá a ideia do infinito é a estupidez humana"!

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Salvatore D' Onofrio
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
www.salvatoredonofrio.com.br
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