Inflação perde fôlego em abril, mas acumula 6,76% em 12 meses e fica mais longe ainda do teto da meta do BC

11 de maio de 2021 195

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) perdeu fôlego em abril ao registrar alta de 0,31%, ante avanço de 0,93% em março, mas se manteve acima do teto da meta inflacionária perseguida pelo Banco Central (BC), segundo números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 11. O indicador oficial da inflação brasileira acumulou alta de 6,76% nos últimos 12 meses encerrados em abril, superando o limite de 5,25% da meta do BC, com centro de 3,75% e piso de 2,25%. No ano, a inflação acumula alta de 2,37%. No mesmo mês de 2020, o índice registrou queda de 0,31% em meio ao processo de desinflação gerado pela pandemia do novo coronavírus. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), visto como a inflação dos mais pobres, avançou 0,38%, abaixo da taxa de março, quando havia registrado 0,86%. O indicador acumula, no ano, alta de 2,35% e de 7,59% em 12 meses.

Com alta de 1,19%, o grupo de saúde e cuidados pessoais foi o principal responsável pelo avanço da inflação em abril. A maior influência desse resultado foi o aumento de 2,69% dos preços dos produtos farmacêuticos, que foram também o principal impacto no índice geral, com 0,09 ponto percentual. “No dia 1º de abril, foi concedido o reajuste de até 10,08% no preço dos medicamentos, dependendo da classe terapêutica. Normalmente esse reajuste é dado no mês de abril, então já era esperado”, diz o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov. O setor do transportes, o principal responsável pela inflação em 2021, registrou queda de 0,08%, influenciado, principalmente, pela retração nos preços dos combustíveis. Após 10 meses consecutivos de alta, a gasolina recuou 0,44% em abril. Mas a queda mais intensa no grupo veio do etanol, com retração de 4,93%. “Houve uma sequência de reajustes entre fevereiro e março na gasolina. Mas no fim de março houve duas reduções no preço desse produto nas refinarias. Isso acaba chegando ao consumidor final”, afirma o pesquisador.

O grupo de alimentação –  o maior vilão da inflação de 2020 – voltou a crescer em abril ao registrar avanço de 0,40%, ante alta de 0,13% em março. O movimento interrompe a sequência de quedas registrada no setor desde dezembro do ano passado. O aumento foi sentido nos preços da carne (1,01%), do leite longa vida (2,40%), do frango em pedaços (1,95%) e do tomate (5,46%), que tornaram tornou a alimentação no domicílio (0,47%) mais cara do que no mês anterior. De acordo com o pesquisador, as carnes, que acumularam uma alta de 35,05%, nos últimos 12 meses, tiveram seus preços aumentados em abril devido, principalmente, à inflação de custos por causa da ração animal. “Estamos em um momento em que há uma grande alta no preço das commodities. Nesse caso, principalmente a soja e o milho estão impactando os custos do produtor e isso acaba influenciando o preço final do produto no mercado”, afirma.O mercado financeiro aumentou a projeção para o IPCA em 2021 de 5,04% para 5,06%, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira, 10. Esta foi a quinta revisão seguida para cima. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou a Selic, o principal instrumento para o controle da inflação, para 3,5% na reunião da semana passada ao acrescentar mais 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros. O movimento deve se repetir no encontro agendado para junho com a mesma dose de acréscimo, jogando a Selic para 4,5% ao ano. A inflação fechou 2020 com alta de 4,52%, o maior valor para o IPCA desde 2016, quando o índice encerrou com alta de 6,29%.

Fonte: JOVEM PAN