Instituições

2 de outubro de 2020 54

Associo-me à colunista Mariliz Pereira Jorge na defesa do direito de reclamar contra o presidente ("Fora Bolsonaro", Folha 1/10) e ministros por ele nomeados, especialmente Damares Alves, patroa do ridículo ministério da "mulher, família e direitos humanos", como se o homem não tivesse família e seus direitos também! Só que gente inteligente e intencionada em melhorar nossa vida em sociedade, junto com o direito de critica, deveria ter o dever de apresenta soluções possíveis. É fácil gritar fora Bolsonaro! "E dopo" (depois), como dizem os italianos, quem vamos colocar no lugar dele?

            Penso que o problema do nosso sistema político não é pessoal, mas institucional. Nosso Presidencialismo não é democrático, mas absolutista, concentrando no chefe do Estado um poder quase ilimitado. Bolsonaro está impondo a lei do silêncio, pois "quem manda aqui sou eu", usando a caneta para impor ou vetar. E a própria Constituição lhe permite isso pois, ao mesmo tempo em que prega a"independência entre os Três Poderes", concede ao Presidente da República a indicação de todos os Ministros de Estado, do Procurador Geral da República e de outros cargos fundamentais para o governo do país. O povo votou no Bolsonaro não para ele fazer o que quisesse, protegendo familiares e amigos, mas para ele coordenar ministérios e secretarias, colocando nas chefias gente honesta e competente. Um Presidente verdadeiramente democrático deveria escolher seus auxiliares com base em listas apresentadas por colegiados. Deveríamos exigir isso de legisladores (senadores, deputados, vereadores) e de executivos (presidente, governadores, prefeitos), quando pedem nossos votos.

--
Salvatore D' Onofrio
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
www.salvatoredonofrio.com.br
http://pt.wikisource.org/wiki/Autor:Salvatore_D%E2%80%99_Onofrio