Investigação do Banco Master avança em direção a Toffoli: PF prepara pedido de quebra de sigilo de fundo da família do ministro

21 de fevereiro de 2026 23

Relatório de 200 páginas entregue ao STF aponta suspeitas de corrupção passiva; PF quer rastrear suposto caminho do dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro até o ministro

Investigadores envolvidos nas apurações das fraudes bilionárias do Banco Master suspeitam que o ministro do STF tenha se beneficiado de transações ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Toffoli nega irregularidades, mas admitiu vínculo com fundo investigado.

A Polícia Federal avança em uma das investigações mais sensíveis da história recente do Judiciário brasileiro. Investigadores envolvidos nas apurações das fraudes bilionárias do Banco Master suspeitam que Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), tenha praticado o crime de corrupção passiva. Apesar das suspeitas, o magistrado ainda não é formalmente alvo de investigação.

A apuração, revelada pelos jornalistas Débora Bergamasco e Matheus Teixeira no CNN 360º, representa um capítulo inédito no relacionamento entre a Polícia Federal e a mais alta corte do país.

O que a PF pretende fazer

Investigadores envolvidos nas apurações devem pedir ao STF a quebra de sigilo do fundo Maridt, ligado a familiares do ministro Dias Toffoli. Também serão solicitadas outras diligências para percorrer o caminho do dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro e averiguar supostos pagamentos ao juiz da Suprema Corte, conforme mencionado em conversas apreendidas nos celulares de Vorcaro e presente no relatório de cerca de 200 páginas entregue ao presidente do Supremo, Edson Fachin.

O foco das investigações recai sobre a venda de uma participação societária no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), que pertencia ao fundo Maridt e foi adquirida por um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. A PF apura se essa transação comercial serviu de camuflagem para repasses indevidos.

O relatório e o papel do STF

A PF fundamentou o encaminhamento do caso à Corte com base no Artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura (Loman), dispositivo que determina o rito a ser seguido quando surgem indícios de crime por parte de magistrado no exercício de sua função.

“Conforme antecipado pela revista Piauí e confirmado pela CNN, a PF enviou os autos do inquérito ao STF quando se deparou com indícios de prática de crime por parte do magistrado, supostamente, no curso de um processo que era relatado por ele”, explicou a âncora Débora Bergamasco.

De acordo com fontes ouvidas pela CNN, a expectativa de agentes da PF é que o novo relator do caso, ministro André Mendonça, possa “destravar” as investigações.A experiência prévia com Mendonça na relatoria do caso das fraudes do INSS é avaliada positivamente pelos investigadores, que o consideram um magistrado criterioso.

A posição do STF e a saída de Toffoli da relatoria

O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria da investigação envolvendo o Banco Master após reunião convocada pelo presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin. O encontro discutiu o relatório da Polícia Federal que apontou menções ao nome de Toffoli em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira.

Na reunião fechada, vários ministros criticaram duramente a PF por investigar Toffoli sem autorização formal da Corte. Ao considerar que os investigadores produziram provas de forma ilegal contra o colega, descartaram de pronto qualquer consequência penal contra Toffoli.

A nota assinada pelos dez ministros presentes — incluindo o próprio Toffoli e André Mendonça — expressou “apoio pessoal” ao colega, “respeitando a dignidade de Sua Excelência”, conforme registrado por veículos como o Poder360.

Fachin compartilhou o relatório da PF com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Cabe a ele, como chefe do Ministério Público Federal, analisar o material. Se avaliar que há indícios de crimes, teria por obrigação pedir ao STF a abertura de um inquérito contra Toffoli, algo inédito.

As conexões com o resort Tayayá

Dois irmãos de Toffoli foram sócios do resort Tayayá até fevereiro de 2025, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Em 2021, parte dessa sociedade foi vendida a um fundo de investimento cujo dono era Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, o controlador do MasterVorcaro e Zettel chegaram a ser presos durante a Operação Compliance Zero da PF, que investiga as possíveis fraudes envolvendo o banco.

O documento da PF, com cerca de 200 páginas, registra contatos entre Toffoli e Vorcaro, além de menções do banqueiro, em conversas com o cunhado, Fabiano Zettel, a pagamentos em favor de uma empresa do ministro.

As negativas e a contradição de Toffoli

Em nota oficial enviada à imprensa, o gabinete de Dias Toffoli adotou uma postura defensiva incisiva. O texto afirma que o ministro “jamais integrou qualquer fundo de investimento” diretamente e assegura que todas as operações financeiras da Maridt e de seus acionistas foram regulares e devidamente declaradas.

No entanto, a posição do gabinete contrasta com declaração do próprio ministro. Após a divulgação do relatório da PF, o ministro admitiu pela primeira vez ser sócio do grupo Marídite, fundo que agora está sob escrutínio dos investigadores e poderá ter seu sigilo quebrado caso o STF autorize as diligências solicitadas.

Segundo Toffoli, “tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil”, “todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado” e “todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição”.

A crítica da sociedade civil

A principal ONG de combate à corrupção no país, a Transparência Brasil, criticou a decisão dos ministros de rejeitarem a suspeição de Toffoli. “Um juiz presidindo investigação que, se conduzida com técnica, independência e legalidade, deverá alcançar sua família e, muito provavelmente, ele próprio”, afirmou a entidade.

A declaração da Transparência Brasil sintetiza a preocupação de setores da sociedade civil com a independência institucional do processo: a possibilidade de que o próprio relator de uma investigação seja, ao mesmo tempo, potencial investigado, representa um desafio sem precedentes para o sistema de Justiça brasileiro.

Próximos passos

O caso segue em fase crítica. Com André Mendonça como novo relator, caberá ao STF decidir se autoriza as diligências solicitadas pela PF — incluindo a quebra de sigilo do fundo Maridt. Paralelamente, o procurador-geral Paulo Gonet avalia se o material produzido pelos investigadores é suficiente para embasar um pedido formal de abertura de inquérito contra o ministro.

Trata-se de um momento inédito na história do Judiciário brasileiro: a possibilidade concreta de que um ministro do Supremo Tribunal Federal venha a ser investigado criminalmente pela mesma instituição que preside um dos casos mais emblemáticos do país.

Fonte: ALAN ALEX
PAINEL POLITICO (ALAN ALEX)

Alan Alex Benvindo de Carvalho, é jornalista brasileiro, atuou profissionalmente na Rádio Clube Cidade FM, Rede Rondovisão, Rede Record, TV Allamanda e SBT. Trabalhou como assessor de imprensa na SEDUC/RO foi reporte do Diário da Amazônia e Folha de Rondônia é atual editor do site www.painelpolitico.com. É escritor e roteirista de Programas de Rádio e Televisão. .