Irmãos Weintraub usaram nome da Unifesp para “vender” reforma da Previdência

14 de fevereiro de 2020 71

Um documento de 2018 que traz o registro da primeira reunião do departamento de Ciências Atuariais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que Arthur e Abraham Weintraub, na época professores da instituição, de fato usaram o nome da universidade, irregularmente, para atender a interesses particulares.

Na ata da reunião, Arthur confirma que foi convidado para participar do Seminário Internacional sobre a Reforma da Previdência do Congresso Nacional e que, para tanto, utilizou o Centro de Estudos em Seguridade (CES), inaugurado junto com o irmão em 2015, para apresentar sua proposta de reforma da Previdência em nome da Unifesp.

O CES, no entanto, operava irregularmente, pois nunca foi aprovado pelo Conselho Universitário (CONSU) ou teve acompanhamento de outros órgãos da instituição, como o Conselho de Administração. Na apresentação de slides utilizada por Arthur, há definição de que o CES é uma “associação de docentes de contabilidade e atuária da Unifesp”.

Diferente da definição que Arthur sustenta na apresentação, o CES não fala em nome da universidade e chegou a ser denunciado, em 2018, por fazer uso indevido do nome da Unifesp.

O documento ainda revela que foi a partir desta apresentação feita no Congresso Nacional que os irmãos Weintraub se aproximaram do futuro governo de Jair Bolsonaro.

A ata diz que “vários deputados federais e senadores, dentre eles Onyx Lorenzoni, gostaram e o procuraram pedindo mais propostas, também, na área de economia. [Arthur] destacou que seu irmão e ele possuíam o CES, Centro de Estudos em Seguridade, que seria uma associação sem fins lucrativos, no qual participam professores e pesquisadores. Após alguns meses, o deputado Onyx o procurou dizendo que havia outros deputados interessados em seu trabalho, dentre aqueles, o deputado Jair Bolsonaro”,

 

A aproximação dos irmãos com Bolsonaro através da Unifesp gerou inúmeras críticas e denúncias por parte de alunos e professores, como pode ser comprovado pela mesma ata da reunião.

“Os Centros Acadêmicos dos cursos de Relações Internacionais e Economia por considerarem o campus democrático e plural, através de uma mensagem, julgaram que os professores Abraham e Arthur não tinham direito de dar o apoio científico ao candidato Jair Bolsonaro e que deveria haver, talvez, punição por conta disso”, diz o trecho. Em outro, há a menção de que chefes de departamento da Unifesp pediram a demissão de Arthur Weintraub por seu “apoio científico” a Bolsonaro.