Itália muda regime carcerário de Cesare Battisti para comum
FERRARA, 29 SET (ANSA) – A Justiça da Itália vai desclassificar o regime carcerário do ex-terrorista Cesare Battisti de segurança máxima para comum, informam documentos obtidos pela ANSA nesta quinta-feira (29). Por isso, em um provimento do Departamento de Administração Penitenciária (DAP), há a informação de que o detento será transferido do presídio de Ferrara para o de Parma.
Na atual estrutura prisional, Battisti vive em um regime de semi-isolamento, fazendo o cultivo de uma horta por meio do projeto Galeottorto e um curso de escrita criativa. Em julho, durante uma entrevista ao jornal “La Nuova Ferrara”, o presidiário havia dito que a mudança em seu regime penitenciário era a atual batalha jurídica feita por seus advogados.
“A retirada do regime AS2, que como foi dito na sentença, não me pertence. Mas, mesmo assim, ele perdura”, pontuou reforçando que queria descontar sua pena de prisão perpétua “positivamente e construtivamente”.
Após a decisão, o responsável pelo departamento de justiça do partido ultranacionalista Irmãos da Itália (FdI), vencedor das eleições parlamentares do último domingo (25), Andrea Delmastro Delle Vedove, afirmou que o anúncio do DAP é “vergonhoso”.
“Último socorro ao terrorismo vermelho. Uma aberração. Depois de anos de fugas, apenas inserido no regime carcerário italiano, o criminoso terrorista obtém a desclassificação como um detento comum. Uma vergonha e uma vergonha ainda maior que o DAP esteja tomando essa gravíssima e acelerada decisão a poucos dias da mudança de governo”, afirmou Delle Vedove.
Em entrevista à ANSA, o garantidor regional das pessoas submetidas às medidas limitativas ou restritivas de liberdade da Emilia-Romagna, local onde fica Ferrara, Galeazzo Birgnami, afirmou que para “julgar” esse tipo de decisão é preciso “conhecer as leis”.
“Para julgar esses provimentos da administração penitenciária é preciso conhecer as normas e as leis. Dizer que não é aceitável quer dizer admitir que não as conhece. Essa pessoa seguiu o pedido normativo correto e a administração penitenciária reconheceu aquilo que não estava reconhecido.
Desclassificação não significa que a administração cancela o fato de que houve crimes terroristas, mas é uma questão de gestão e logística. Não incide sobre o tipo de condenação, só quer dizer que ele virou um detento comum”, afirmou Bignami.
Battisti foi condenado em contumácia e passou quase 40 anos foragido, boa parte desse tempo vivendo no Brasil. Em dezembro de 2018, o então presidente Michel Temer ordenou sua extradição para a Itália, mas o ex-terrorista fugiu para a Bolívia. Em 2019, porém, foi finalmente enviado para a Itália, onde já passou por diversos presídios.
O italiano pertencia ao grupo terrorista Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) e foi condenado a pena de prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos na década de 1970. (ANSA).