Janio de Freitas sobre a crise de Bolsonaro: “renúncia é a palavra da moda”
Da Coluna de Janio de Freitas na Folha de S.Paulo.
É uma necessidade premente, não a convicção, que faz Bolsonaro desafiar as evidências, o saber científico, a indignação do bom senso e o coronavírus. Se está convencido, mesmo, do que acusa no isolamento contra o vírus, não é irrelevante. Mas é outra questão, não o que o move.
É para salvar sua pele que Bolsonaro, contraditoriamente, a expõe à contaminação. “Há gente poderosa em Brasília que espera um tropeço meu”, disse na última quinta. Engana-se, não com a gente poderosa, mas com o motivo da espera.
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Entre os que esperam, renúncia é a palavra da moda. Mais sussurrada do que sonora, pode ser vista como a transferência, para o próprio Bolsonaro, da iniciativa desejada contra ele. O cúmulo do comodismo. Ainda assim, indício de esgotamento.
O alarme soou para os Bolsonaros com sinais acumulados na semana entre 15 e 21 de março, ao se acentuarem os choques com governadores e as acusações de “histeria” à prevenção e ao noticiário.
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Renúncia de governante costuma ser um gesto, digamos, espontâneo à força. Entre o esgotamento do desgaste e os receios da ação, a força espera, indecisa.