Jânio de Freitas: “violência armada cai muito bem como encerramento do Ano Bolsonaro”
Da Coluna de Jânio de Freitas na Folha de S.Paulo.
O tema da violência armada, que no apagar do ano criou dois casos especiais, cai muito bem como encerramento do Ano Bolsonaro, em lugar daqueles balanços que mais balançam do que consolidam. O que está chamado de indulto, e é muito mais, consiste em um abuso de poder com fins não revelados no que mais importa: sua motivação. O ataque homicida e incendiário ao estúdio do Porta dos Fundos, por sua vez, diz mais do que se nota.
A outra homenagem ao Ano Bolsonaro —o ataque à sede do Porta dos Fundos — tem repercussão por motivos óbvios. Não por isso, mas pelo ato em si, torna perceptível uma escalada no extremismo. Ou no bolsonarismo.
Sob diferentes formas, atos da mesma natureza estão ocorrendo com frequência crescente. Centros espíritas, de umbanda, associações de fins sociais, cerimônias e igrejas católicas, além de inúmeras vítimas pessoais, estão atacados no país todo, sem que isso receba do Ministério da Justiça, dos meios de comunicação e da sociedade a atenção devida e a compreensão de sua gravidade.
Foram atos de extremismo isolado que, em crescendo por contaminação e sem encontrar resistência, anteciparam as tragédias nacionais tão conhecidas.