João de Deus: MPGO analisa pedir interdição da Casa Dom Inácio

10 de dezembro de 2018 352

Enviada especial a Goiânia (GO) — Após o escândalo envolvendo o médium João de Deus vir à tona, os promotores de Justiça de Goiás receberam diversas ligações no fim de semana. Eles formaram uma força-tarefa e disseram que, nesta terça-feira (11/12), as vítimas começam a ser ouvidas. A partir daí e de provas colhidas, o MP pode pedir a interdição da Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, no Entorno do DF, onde João de Deus faz os atendimentos espirituais.

“Já há uma coordenação nacional com todas as promotorias das outras cidades e depoimentos marcados para outros Ministérios Públicos, como São Paulo e Minas Gerais. Isso vai servir para as vítimas se sentirem à vontade para procurar o MP”, disse o promotor Luciano Miranda, coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal (CAO Criminal), um dos coordenadores da força-tarefa.

NATHÁLIA CARDIM/METRÓPOLES
Nathália Cardim/Metrópoles
 
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Promotores Luciana Miranda (ao centro) e Patrícia Otoni comandam força-tarefa

Ao lado da promotora Patrícia Otoni Pereira, coordenadora do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos (CAODH), ele deu entrevista coletiva desta segunda-feira (10) no Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), para explicar mais detalhes das investigações.

Ambos serão responsáveis por orientar os titulares que irão atuar no caso. De acordo com informações do MPGO, a força-tarefa vai auxiliar os profissionais de outros estados a receberem as acusações quando procurados pelas vítimas.

As promotorias das outras cidades poderão colher os depoimentos, mas os processos serão todos instaurados no Ministério Público de Goiás. “É importante que as vítimas se sintam encorajadas a denunciar, mesmo que o abuso tenha ocorrido há muito tempo. Isso tem que vir à tona para que os crimes sejam devidamente apurados”, afirmou Patrícia Otoni.

Em Goiás, a força-tarefa do MP será comandada por quatro promotores. Além de dois médicos e psicólogos.

Queremos ser céleres. À medida que as vítimas foram aparecendo, vamos colher os depoimentos no mesmo dia em que procurarem o MP. Se necessário, providenciaremos segurança para elas"
Luciano Miranda, promotor do MPGO

O promotor de Alexânia (GO) Steve Gonçalves Vasconcelos, substituto da promotora de Abadiânia, Cristiane Marques, responsável pelo caso, também esteve presente na coletiva de imprensa. Ele disse que, além de crimes sexuais, podem vir a ser investigados delitos de outras naturezas que, eventualmente, possam ter sido cometidos por um dos líderes espirituais mais famosos do mundo.

Por enquanto, os crimes a serem apurados são: estupro, abuso sexual mediante fraude e estupro de vulnerável. “Enquanto não tivermos algo concreto, por cautela, não podemos ingressar com nenhuma ação no Judiciário para interditar o estabelecimento de João de Deus. Vamos tomar todas as medidas no âmbito criminal e civil a partir das denúncias”, ressaltou Luciano Miranda.

Segundo o promotor, sem a existência de relatos, o MPGO não tem o material necessário para ingressar com qualquer tipo de medida contra João de Deus. “A coleta de provas é imprescindível. A partir do momento que tivermos os depoimentos, analisaremos a gravidade dos relatos e verificaremos as medidas que devem ser executadas. Pode chegar à interdição do local ou até a uma medida cautelar”, disse Luciano Miranda.

Os promotores disseram que, durante o fim de semana, choveu ligações de vítimas. Eles, porém, não quiseram informar quantas vítimas os procuraram. Vieram a público pelo menos 15 casos, entre sábado (8) e domingo (9). Dez deles foram revelados pelo programa da Rede Globo Conversa com Bial, na madrugada de sábado (8). O número de denúncias, no entanto, pode chegar a 200.