Laicidade

16 de dezembro de 2019 90

 Conforme notificado pela Folha (13/12), "Grupo de ateus vai à Justiça contra show de cantora gospel no Réveillon do Rio". E isso porque o prefeito Marcelo Crivella, cantor e pastor evangélico, contratou a cantora gospel Anayle Sullivan, casada com Michael Sullivan, parceiro musical de Crivella, ganhando milhões com canções de louvor religioso, tipo "EU Vejo Deus", para enganar o povão inculto. A Atea (Associação de Ateus e Agnósticos) está movendo uma ação civil pública contra a Prefeitura do Rio por desrespeitar o princípio constitucional da laicidade do Estado, que impede promover qualquer religião. Garantir a liberdade de crença não implica em gastar dinheiro público para bancar eventos. Inclusive porque na atração da gospel, além do fator musical, está implícita a pregação de uma religião específica, a evangélica, em evidente detrimento de outras crenças, como católica, espírita, judaica, islâmica. Seria salutar para o bom funcionamento de uma democracia que cargos públicos de proeminência não fossem ocupados por religiosos ou militares. A política não deveria ser alimentada pela força da fé ou das armas. O casamento do Estado com a Igreja gera várias formas de ditadura. Caberia aos eleitores pensar nisso na escolha de candidatos nas futuras eleições.

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Salvatore D' Onofrio
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
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