Lama em pousada de Brumadinho pode ter atingido cinco da mesma família

28 de janeiro de 2019 285

Eram 11h05, quando a administradora de empresas Fernanda Damian de Almeida, 30 anos, mandou a última mensagem no WhatsApp – no texto, ela avisava que havia chegado bem a Belo Horizonte, na sexta-feira (25/1). Grávida de quatro meses e estudante na Austrália, Fernanda estava no primeiro dia de férias no Brasil.

O plano era se reunir com o noivo e a família dele, hospedados na Pousada Nova Estância, em uma área de mata em Brumadinho. “Depois disso, ela não retornou mais. Nem ela nem ninguém”, conta a amiga Vanessa Stagine, 35.

O que todos sabem: após a barragem da Vale se romper, a pousada foi destroçada pela lama. “A família do noivo já estava lá, mas a gente não sabe se ela chegou ou não”, diz a amiga.

Com a tragédia, funcionários e hóspedes da Nova Estância engordaram a lista de desaparecidos. Embora nenhum deles conste entre as vítimas identificadas pela Polícia Civil, a rede Number One chegou a divulgar nota informando a morte do proprietário da pousada, Márcio Paulo Mascarenhas, fundador da escola de inglês, além da mulher dele e de um filho.

Já a respeito de Fernanda, não há notícias. “A gente está na internet, procurando em grupos com mais de 300 pessoas, ninguém sabe de nada”, conta Vanessa, que mora em Curitiba, cidade natal da amiga desaparecida.

Também não foram encontrados o noivo de Fernanda, Luis Taliberti Ribeiro Silva, 33; o sogro, Adriano Ribeiro da Silva, 60; a sogra, Maria Lourdes Ribeiro, 58; e a cunhada. A família atua no setor imobiliário no interior de São Paulo.

Fernanda espera um menino. “É a primeira gravidez. Ela estava muito contente com tudo”, conta Vanessa. “O pior é não conseguir informação. Já estamos perdendo a esperança.”