Lava Jato: ex-presidente do Paraguai tinha doleiro como "irmão de alma"

19 de novembro de 2019 399

Operação Patrón, deflagrada nesta terça-feira (19), identificou uma relação de proximidade entre o ex-presidente do Paraguai e atual senador, Horácio Cartes, e o doleiro Dario Messer, conhecido como "Doleiro dos Doleiros". A Justiça Federal decretou a prisão preventiva de Cartes e mais 19 pessoas na ação.

A Polícia Federal vai pedir a inclusão do nome de Cartes na lista da Interpol. Já Messer está preso há cerca de quatro meses.

 
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Segundo a investigação, Horácio Cartes "financiou" o doleiro no período entre maio e outubro de 2018 no Paraguai, depois que ele fugiu do Brasil . 

Em entrevista coletiva, os procuradores da República afirmaram que Messer escreveu uma carta para o ex-presidente do Paraguai, a quem tratava como um “irmão de alma”, solicitando uma quantia de 500 mil dólares para arcar com as próprias despesas.

"A participação do ex-presidente do Paraguai está bastante clara. No mínimo, como alguém que financiou uma organização criminosa em determinado momento. Os documentos estão sendo levantados ainda para saber se foi uma atuação permanente ou pontual. Não é de se esperar que o presidente de um país disponibilize dinheiro para um foragido do seu país quanto também do Brasil, já que teve uma ordem de prisão determinada no Paraguai por lavagem de dinheiro."

Para os investigadores, Cartes ainda está inserido no núcleo político do braço paraguaio, que tem ainda outros empresários, possivelmente ligada ao contrabando de cigarros e ao tráfico de drogas e armas e que deu abrigo e apoio logístico para Messer naquele país.

Segundo os investigadores, além do pedido de 500 mil dólares, outros valores foram disponibilizados para braços da organização de Messer no Brasil, que envolve a noiva do doleiro, também presa hoje em Copacabana, zona sul do Rio, e outros doleiros no Paraguai.

"Ele (Messer) sobrevivia com dois pilares: um deles era um braço familiar, da noiva dele Myra Athayde, e outro doleiro, inclusive foragido, Najun Turner. Najun foi preso em São Paulo. Já Myra foi presa com a mãe e o padrasto no Rio", disse o delegado da PF Alexandre Bessa. 

Bessa confirmou ainda que Myra é apontada pela investigação como a responsável por ocultar o patrimônio de Dario Messer em diversos países. Segundo o delegado, a mulher abriu uma empresa nos Estados Unidos e contas no exterior para esconder o dinheiro do namorado. 

A ação é um desdobramento da operação Câmbio Desligo, que obteve novas provas após prisão de Messer em São Paulo, em julho deste ano.