Lava-Jato manda prender perito judicial que superfaturava laudos para Fetranspor
Agentes da Polícia Federal em imóvel do perito Charles Fonseca William, acusado de superfaturar laudos para Fetranspor Foto: Pablo Jacob/O Globo
RIO - Agentes da Polícia Federal e procuradores do Ministério Público Federal (MPF) estão no bairro de Icaraí, em Niterói, para prender o perito judicial Charles Fonseca William em uma nova fase da Lava-Jato . Ele é acusado de, em troca de propina, fraudar laudos para favorecer empresas de ônibus e a outros clientes, superfaturando valores apurados em seus trabalhos no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), entre outras manobras contábeis.
A função do perito no Tribunal de Justiça é apresentar relatórios técnicos para que sejam usados como prova em processos judiciais. No caso da Fetranspor, Charles fazia vista grossa e recebia valores indevidos para não dar andamento nas ações contra a entidade.
A operação desta quinta-feira, que também cumpre mandados de busca e apreensão na firma do perito, e em outros endereços ligados ao esquema, é baseada nas colaborações premiadas de Lélis Teixeira, ex-executivo da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor), de Marcelo Traça, ex-presidente o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio (Setrerj), e de Álvaro Novis, doleiro e operador do esquema de propina comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral.
A prisão preventiva de Charles Fonseca William, foi autorizada pelo juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.
De acordo com a força-tarefa da Lava Jato no Rio, somente em uma das ações, citada no inquérito, Charles William teria calculado uma indenização irregular de R$ 57,9 milhões, posteriormente cobrada pela Auto Comercial Tupi ao governo do Estado por conta de um congelamento ilegal das tarifas de ônibus. Agentes da Polícia Federal e procuradores da República estão, agora, na casa de William, em Niterói, com o objetivo de prendê-lo.