Livro revela que Bolsonaro praticou obstrução da justiça no caso Queiroz. Por Fernando Brito

14 de janeiro de 2020 66

Publicado originalmente no blog Tijolaço

POR FERNANDO BRITO

 

Neste período em que a política está mais parada que os pedidos de aposentadoria ao INSS, as revelações do livro Tormenta, da jornalista Thaís Oyama, que estão sendo antecipadas, a conta-gotas, pela revista Época só não são mais escandalosas porque, afinal, toos já desconfiavam que tivessem ocorrido de forma bem próxima à que ela situa no texto.

A primeira – e mais grave – a de que Jair Bolsonaro praticou obstrução da Justiça ao orientar o que deveria ser o depoimento do ex-assessor Fabrício Queiroz sobre o caso das “rachadinhas”, calando-se sobre quase tudo – sob a alegação que seus advogados deveriam ter acesso à investigação, antes – mas abrindo a boca apenas para negar qualquer envolvimento da família presidencial no caso.

 

Ninguém, nem a velhinha de Taubaté, acredita que Queiroz está vivendo semiclandestino em São Paulo e pagando do bolso(naro?) o caro tratamento de câncer no Hospital Albert Einstein, mantendo toda a família submersa e calada.

A segunda é a “quase demissão” de Sérgio Moro, por este ter tentado colocar areia na suspensão da investigação sobre Flávio Bolsonaro.

Pode ter havido a vontade, até o ensaio do rompante, mas não há esta possibilidade.

Bolsonaro e Moro são o que em biologia chamar-se-ia “mutualismo obrigatório, uma forma de interdependência fisiológica necessária”, da qual a separação “pode acarretar um desequilíbrio metabólico em ambas espécies ou levá-las a morte súbita”, como já tratei aqui há vários meses.

Jair Bolsonaro sabe que depende de Moro para ornar seu suposto (ponha suposto nisso) moralismo e Sérgio Moro sabe que, sem poder, vai dar meia-dúzia de palestras, abrir um escritório de lobby, digo, de advocacia e mais nada.

Pior, perderá grande parte da cobertura com que conta nos meios jurídicos para que “não venha ao caso” o lote e arbitrariedades que contém sua atuação na Lava Jato.

O resto, das peripécias nomeativas e da ciclotimia de Carluxo, também era sabido. E se não fosse, a postagem desta noite, explorando a imagem do filho da Gretchen na maternidade, bastaria para mostrar que se está diante de um caso patológico.