Mandetta perde apoio do DEM se seguir Bolsonaro e seu discurso sobre coronavírus

25 de março de 2020 28

De Jussara Soares no Estado de S.Paulo.

 

Após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro da noite desta terça-feira, 24,  políticos querem saber se ele vai exigir uma mudança de postura do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no enfrentamento ao novo coronavírus ou se vai separar o discurso da prática. Após Bolsonaro voltar a minimizar os efeitos da pandemia da covid-19 que já mandou 46 pessoas no País, a cúpula do DEM procurou Mandetta, filiado o partido, mas não conseguiu contato. A legenda decidiu internamente que se o ministro mudar o discurso do coronavírus vai retirar o apoio a ele.

A avaliação dentro do DEM, no entanto, é que Mandetta poderá colocar o cargo à disposição do governo, se for pressionado por Bolsonaro a adotar uma postura mais flexível no combate ao coronavírus. Segundo pessoas próximas ao ministro, ele não estaria dispotos a “rasgar o diploma de médico” nem comprometer sua biografia na área de saúde.

O DEM tem três governadores e 267 prefeitos, que, segundo integrantes da legenda, não aceitam uma mudança de postura de Mandetta, caso ele decida seguir o entendimento do presidente e  relativize a covid-19.  O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que é aliado de Bolsonaro,  disse a interlocutores que ficou “perplexo” com a declaração do presidente nesta noite. 

 

Após participar de reuniões com governadores do Centro-Oeste e Sul, no entanto, o ministro da Saúde adotou um discurso semelhante ao do presidente. E disse que o “travamento do país atrapalha a saúde.” Apesar de afirmar que não irá pedir aos governadores para afrouxarem as medidas, ele disse que alguns estão percebendo que aceleraram decisões e que será necessário fazer ajustes.