Mario Frias afirma que Museu da Língua Portuguesa ‘vandaliza’ cultura ao usar pronome neutro

25 de julho de 2021 37

O secretário especial da Cultura, Mario Frias, criticou o uso do pronome neutro “todes” pelas mídias sociais do Museu de Língua Portuguesa. “O governo federal investiu R$ 56 milhões nas obras do Museu da Língua Portuguesa, para preservarmos o nosso patrimônio cultural, que depende da preservação da nossa língua”, disse o secretário. “Não aceitarei que esse investimento sirva para agentes públicos brincarem de revolução.”

Frias garante que vai tomar as medidas necessárias para impedir que verbas públicas federais sejam utilizadas em propagandas ideológicas. “Se o governo paulista se comporta como militante, vandalizando nossa cultura, não o fará com verba federal”, asseverou.

A confusão

 

O Museu da Língua Portuguesa adotou a escrita de pronome neutro em seus perfis nas mídias sociais. Em 12 de julho, a instituição publicou um post em que aparece escrito o termo “todes”, apesar de ele ser inexistente nas normas oficiais do idioma.

NOVA MARCA DO MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA

Nesta nova fase do MLP, a vírgula – uma pausa ligeira, respiro – representa o recomeço de um espaço aberto à reflexão, inclusão e um chamamento para todas, todos e todes os falantes, ou não, do nosso idioma: venham, voltamos! #31JulhoMLP pic.twitter.com/5fMXTlBIJI

— Museu da Língua Portuguesa (@MuseudaLingua) July 12, 2021

 

Depois da repercussão negativa, a entidade se pronunciou em nota enviada ao jornal O Estado de S. Paulo.

“Desde sua fundação, em 2006, o Museu da Língua Portuguesa se propôs a ser um espaço para a discussão do idioma, suas variações e mudanças incorporadas ao longo do tempo. Sempre na perspectiva de valorizar os falares do cotidiano e observar como eles se relacionam com aspectos socioculturais, sem a pretensão de atuar como instância normatizadora. Nesse sentido, o Museu está aberto a debater todas as questões relacionadas à língua portuguesa, incluindo a linguagem neutra, cuja discussão toca aspectos importantes sobre cidadania, inclusão e diversidade.”

Fonte: Edilson Salgueiro