Merval Pereira, da Globo, diz que Bolsonaro pode ser “interrompido” por “absoluta incapacidade psicológica”
Em artigo no jornal O Globo nesta terça-feira (17), o jornalista Merval Pereira – uma espécie de garoto de recados da família Marinho – coloca em xeque a sanidade psíquica de Jair Bolsonaro para comandar o país e especula que seu mandato por ser “interrompido” por incapacidade não apenas de gestão.
“Ninguém sabe como isso vai terminar, mas torna-se assunto inevitável a possibilidade de Jair Bolsonaro vir a ter interrompido de alguma maneira seu mandato presidencia por absoluta incapacidade, não apenas de gestão, mas psicológica. Pode ser por uma licença de saúde, uma renúncia, ou um impedimento político”, escreve.
Segundo ele, o assunto – que já era frequente entre parlamentares, autoridades e empresários – teria sido percebido pelo próprio presidente no último domingo (15), após críticas por ter participados dos atos contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).
“Com a mais recente demonstração de irresponsabilidade no domingo, o tema ganhou dimensões alarmantes, a ponto de o próprio Bolsonaro, sentindo o cheiro de queimado, ter declarado que seria “golpe” isolar o presidente”, diz Merval, ressaltando que “por “isolar”, compreenda-se a prescrição médica determinada por seu próprio governo, até que fique garantido que não está contaminado pelo novo coronavírus”.
No entanto, o jornalista do Globo retoma a expressão mais adiante. “Mas “isolar” o presidente pode significar também tocar o país sem depender dele, com os setores mais responsáveis do governo e os demais Poderes tomando as decisões necessárias. Ignorando quem deveria estar na liderança de um gabinete de emergência para enfrentar as crises de saúde pública e econômica, e, ao contrário, está à frente de intrigas palacianas e teorias conspiratórias que corroem sua mente e atrapalham a prevenção pelo mau exemplo”.
Merval ainda ironiza, dizendo que “talvez se fosse exigido um teste psicológico dos candidatos, assim como se exige não condenação em segunda instância, vários não estariam aptos a participar da eleição, evitando-se assim problemas como o que levou uma deputada como Janaina Pascoal, do antigo partido de Bolsonaro e cotada para ser sua vice, a pedir o afastamento dele da presidência da República”.
Por fim, o jornalista compara a atitude de Bolsonaro no domingo com as declarações do bispo Edir Macedo, que disse que não fechará seus templos por causa do coronavírus.
“Assim como Macedo não quer perder o dízimo com os templos cheios de incautos fiéis, também Bolsonaro não quer perder o seu dízimo, que são os votos”.