Merval Pereira sobre Bolsonaro: “Tropeçou física e metaforicamente nos seus próprios erros”

7 de junho de 2020 78

Da Coluna de Merval Pereira no Globo.

A compostura do presidente Bolsonaro não é nem de uma pessoa normal, quanto mais a de um presidente da República. Não falar sobre a nossa tragédia sanitária no dia em que chegamos a um morto por minuto, mesmo ao inaugurar um hospital de campanha construído para enfrentar a pandemia, é sinal de desumanidade incomparável. Tropeçou física e metaforicamente nos seus próprios erros.

O que ele não entende é que seu desapego às consequências da pandemia tira-lhe mais apoios do que a insistência em reabrir a economia, supostamente preocupado com os que precisam trabalhar para ganhar a vida. Mas o risco de aumento do número daqueles que perdem a vida por estarem na rua trabalhando na informalidade é muito maior do que a alegada possibilidade de morrerem de fome.

O absurdo é que o governo não esteja totalmente mobilizado para essa tragédia nacional. E não temos nem ministro da Saúde. O próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, espelho para Bolsonaro, criticou a maneira como o Brasil está enfrentando a pandemia da Covid-19, dando como exemplo do que não deve ser feito a Suécia, elogiada por Bolsonaro, e o nosso país.

 

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