Ministro de Bolsonaro ataca Fiocruz, uma das mais importantes instituições de pesquisa do Brasil

28 de maio de 2019 110

Reportagem de Audrey Furlaneto no Globo informa que, ao longo de três anos, a  Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fez 16 mil entrevistas e destacou 500 pesquisadores para desenvolver o 3º Levantamento  Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira. Trata-se de uma espécie de censo do consumo de substâncias lícitas e ilícitas no Brasil. Dada sua abrangência, o estudo custa caro: R$ 7 milhões, pagos pelo governo — que engavetou a pesquisa, impedindo sua divulgação pela Fiocruz. A fundação ganhou o edital para fazer o estudo em 2014 (e concluiu em 2017), bem como venceu as licitações para os dois levantamentos anteriores. O veto à publicação desta edição surpreendeu o meio científico. Não é ilegal — uma cláusula no contrato diz que a pesquisa só pode ser divulgada com a anuência da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas ( Senad ), órgão ligado ao Ministério da Justiça .

De acordo com a publicação, para pesquisadores e especialistas da área, porém, o estudo teria sido engavetado por outro motivo: o estudo não confirma a existência de uma epidemia de drogas no país, como costuma professar o ministro da Cidadania , Osmar Terra . Se oficialmente a Senad alega que a pesquisa não é divulgada porque aFiocruz não teria cumprido exigências do edital, o ministro, por outro lado, parece confirmar o que suspeitam os especialistas ao atacar a instituição e alegar que a pesquisa não comprova o que se vê “nas ruas”: “Eu não confio nas pesquisas da Fiocruz”, diz Terra, em entrevista ao GLOBO, para em seguida explicar seu raciocínio: “Se tu falares para as mães desses meninos drogados pelo Brasil que a Fiocruz diz que não tem uma epidemia de drogas , elas vão dar risada. É óbvio para a população que tem uma epidemia de drogas nas ruas. Eu andei nas ruas de Copacabana, e estavam vazias. Se isso não é uma epidemia de violência que tem a ver com as drogas, eu não entendo mais nada. Temos que nos basear em evidências”.

Em resposta, a Fiocruz divulgou comunicado em que defende a metodologia da pesquisa e diz que o trabalho obedeceu aos critérios estabelecidos pelo edital, completa o Jornal O Globo.