Ministro de Bolsonaro ataca Fiocruz, uma das mais importantes instituições de pesquisa do Brasil
Reportagem de Audrey Furlaneto no Globo informa que, ao longo de três anos, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fez 16 mil entrevistas e destacou 500 pesquisadores para desenvolver o 3º Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira. Trata-se de uma espécie de censo do consumo de substâncias lícitas e ilícitas no Brasil. Dada sua abrangência, o estudo custa caro: R$ 7 milhões, pagos pelo governo — que engavetou a pesquisa, impedindo sua divulgação pela Fiocruz. A fundação ganhou o edital para fazer o estudo em 2014 (e concluiu em 2017), bem como venceu as licitações para os dois levantamentos anteriores. O veto à publicação desta edição surpreendeu o meio científico. Não é ilegal — uma cláusula no contrato diz que a pesquisa só pode ser divulgada com a anuência da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas ( Senad ), órgão ligado ao Ministério da Justiça .
De acordo com a publicação, para pesquisadores e especialistas da área, porém, o estudo teria sido engavetado por outro motivo: o estudo não confirma a existência de uma epidemia de drogas no país, como costuma professar o ministro da Cidadania , Osmar Terra . Se oficialmente a Senad alega que a pesquisa não é divulgada porque aFiocruz não teria cumprido exigências do edital, o ministro, por outro lado, parece confirmar o que suspeitam os especialistas ao atacar a instituição e alegar que a pesquisa não comprova o que se vê “nas ruas”: “Eu não confio nas pesquisas da Fiocruz”, diz Terra, em entrevista ao GLOBO, para em seguida explicar seu raciocínio: “Se tu falares para as mães desses meninos drogados pelo Brasil que a Fiocruz diz que não tem uma epidemia de drogas , elas vão dar risada. É óbvio para a população que tem uma epidemia de drogas nas ruas. Eu andei nas ruas de Copacabana, e estavam vazias. Se isso não é uma epidemia de violência que tem a ver com as drogas, eu não entendo mais nada. Temos que nos basear em evidências”.
Em resposta, a Fiocruz divulgou comunicado em que defende a metodologia da pesquisa e diz que o trabalho obedeceu aos critérios estabelecidos pelo edital, completa o Jornal O Globo.