Míriam Leitão, que viu imenso sucesso de Macri em 2017, agora diz que ele falhou completamente
Em um intervalo de menos de dois anos, Míriam Leitão, uma das estrelas do jornalismo da Globo, foi vencida pela realidade e teve de mudar radicalmente de opinião em relação ao governo liberal de Maurício Macri na Argentina.
No artigo “Transição Argentina“, escrito em 2017, Miriam compara o período de “transição” e “recuperação econômica” da Argentina de Macri à fase vivida pelo Brasil, à época capitaneado pelo golpista Michel Temer.
“Macri anunciou que continuará com suas reformas e vai reduzir impostos para estimular o crescimento. Dará novos passos no seu realismo tarifário, aumentando o preço da gasolina. E diz que tentará reduzir a pobreza que chega a quase 30%. Com isso, quer diminuir a resistência a algumas de suas políticas, como a de estabelecer um teto de gastos, semelhante ao aprovado no Brasil”, relatou Miriam, celebrando a política guiada pelo Fundo Monetário Internacional no país vizinho.
Após a moratória decretada nesta quarta-feira (28), a “análise” da colunista da Globo mudou radicalmente. No título, Míriam decreta que “Macri falhou completamente na economia” com a moratória, mas não se esquece de culpar quem é – como Lula, no Brasil – seu alvo predileto.
“O anúncio de hoje confirma que o presidente Maurício Macri falhou completamente na sua tentativa de recuperar a economia, destruída nos governos anteriores, de Néstor e Cristina Kirchner”, relata.
Para a jornalista, o “grande erro” de Macri “foi ter optado pelo gradualismo no ajuste que o país precisa fazer”. “O tempo foi passando, e o melhor momento de liquidez nos mercados internacionais foi perdido sem que o governo entragasse as reformas que prometera durante campanha”, o que pode ser entendido que Macri perdeu o “timing” – como os agentes do sistema financeiro gostam de dizer – para estrangular ainda mais a economica argentina com o aprofundamento das reformas liberalizantes.
Miriam ainda coloca o “apoio do FMI” como um “socorro” aos “erros” de Macri de “volta ao populismo” com as medidas intervencionistas dos últimos meses. “O receio maior do Fundo era a vitória de um candidato da oposição, cenário que agora se tornou o mais provável”, declara.
Ao final, ela diz que a crise argentina piora a situação do Brasil. “Afetará as nossas exportações de produtos industriais e deixará os investidores estrangeiros mais cautelosos com as economias da região”.
Só faltou avisar que Jair Bolsonaro impõe ao Brasil, com o apoio da Globo, a mesma política econômica que falhou na Argentina de Macri.