Moro sai na frente de Bolsonaro e começa a construir base própria no Congresso
Do Valor:
Alvo de fritura do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça, Sergio Moro, deu a volta no chefe do Executivo e saiu na frente na construção de uma base própria no Congresso, enquanto o governo continua sem sustentação parlamentar sólida para impulsionar as demais reformas.
A “bancada de Moro” cresce e se delineia numa conjuntura cada vez mais clara de dissociação entre lavajatistas e bolsonaristas. Esse time reúne deputados e senadores de vários matizes: PSL, Podemos, do centro, como DEM, PRB, PSD e MDB, e até mesmo da esquerda, como PSB e PDT, todos orbitando em torno de uma agenda comum de combate à corrupção, defesa da Lava-Jato e redução da violência.
Esse bloco de apoiadores quer vincular a imagem à do ministro mais popular do governo, mirando os dividendos políticos, sobretudo a um ano das eleições. Segundo o Datafolha divulgado no começo do mês, Moro tem aprovação de 54% da população, índice 25 pontos acima da nota atribuída a Bolsonaro.
A pesquisa atestou que Moro saiu preservado da crise do vazamento dos diálogos com procuradores da força-tarefa que eclodiu em junho. Até agora, nesse quesito, a derrota foi técnica, com a anulação pelo Supremo Tribunal Federal da sentença em que ele condenou o ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine. A decisão abriu precedente para eventual anulação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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