Morreu Johan van Hulst, o professor que salvou centenas de alunos judeus

30 de março de 2018 583

Johan van Hulst, um senador e professor holandês, ficou conhecido quando foi uma parte importante de uma rede que ajudou cerca de 600 bebés e crianças holandesas judias a escapar aos nazis durante o holocausto. O homem morreu no dia 22 de março, aos 107 anos, mas a informação só foi divulgada pelo senado do país esta semana.

As crianças conseguiram sobreviver graças a um conjunto de operações orquestradas para as tirar do campo de visão das forças nazi que as procuravam para enviar para campos de concentração.

Johan trabalhava como diretor de uma escola protestante em Amesterdão, mas em 1942 perante o encerramento do estabelecimento insistiu para que as portas ficassem abertas, mesmo sem os subsídios governamentais, pedindo ajuda aos pais das crianças com o financiamento. 

Do outro lado da estrada, ficava a Hollandsche Schouwburg, um antigo teatro apreendido pelos nazis que era usado como centro de deportação para Westerbork, na Holanda, Auschwitz e Sobibor na Polónia. O homem encarregue de o chefiar era Walter Süskind, um judeu-alemão que tinha renegado as suas raízes para se juntar às SS.

No entanto, quando Walter percebeu que através dos registos havia uma forma de ajudar algumas pessoas a escapar, juntou forças com Johan e com a diretora de uma escola ao lado da sua.

O plano era esperar que passasse o elétrico em frente às escolas e nessa altura levar as crianças que conseguissem para as traseiras do edifício, onde eram recolhidas e escondidas por grupos de resistência. 

"Tínhamos de fazer uma escola e uma das coisas mais horríveis de fazer era fazer uma escolha", disse Johan numa das últimas entrevistas que deu, citada pela BBC.

Dessa forma Johan conseguiu salvar mais de 600 crianças. Mais tarde teve mesmo de acabar por se esconder a ele próprio, depois de ter sido denunciado por um dos seus colaboradores.

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, acabou por integrar o senado holandês pelo Partido Democrata Cristão durante 25 anos, até 1981 e foi membro do Parlamento Europeu de 1961 até 1968.