MP do reajuste para policiais e bombeiros do DF chega ao Senado com acordo

22 de setembro de 2020 78

AMedida Provisória nº 971, de 2020, está na pauta do Senado Federal para ser apreciada nesta terça-feira (22/9), data limite para que ela seja aprovada e não perca a eficácia. O texto que vai ser analisado pelos senadores tem a aprovação de associações e sindicatos que representam a categoria, mesmo sem a inclusão de 74 emendas sugeridas por parlamentares à proposta inicial. Além disso, a expectativa do relator da matéria, senador Izalci Lucas (PSDB), é que a votação seja simbólica, ou seja, chega à Casa com um pacto entre os líderes para que passe pelo crivo de seus pares.

 

A MP prevê a recomposição salarial para policiais civis, militares e bombeiros do Distrito Federal, Amapá, Rondônia e Roraima. Ela foi aprovada na Câmara dos Deputados nessa segunda-feira (21/9), já com acordo para ir ao Senado. Embora o partido de Izalci tenha reprovado o texto na Câmara, ele ressalta que essa não é a posição do PSDB no Senado.

“Meu relatório é aprovando o texto que passou na Câmara. Esta terça é a data limite para aprovação da matéria e não podemos correr o risco de perder as conquistas que ela traz”, afirmou. Se a Casa quisesse fazer qualquer alteração na MP 971, o risco seria perder a eficácia. Isso acontece quando a medida já tramitou por 120 dias e não foi votada. Para que isso não ocorra, ela precisa, necessariamente, passar pela apreciação dos senadores.

Izalci Lucas conversou com o Metrópoles e informou que seu voto está pronto para ir a plenário. O texto prevê reajuste de 25% na Vantagem Pecuniária Especial (VPE) devida a policiais militares e bombeiros do DF. Na Polícia Civil, o aumento é de 8% linear para todos os cargos.

 

A medida provisória também corrige em 25% a tabela da VPE devida a PMs e bombeiros da ativa, inativos e pensionistas dos ex-territórios do Amapá, de Rondônia e de Roraima.

Essas carreiras fazem parte de quadro de servidores da União atualmente em extinção. A medida foi autorizada pela Lei nº 14.001, de 2020. A estimativa é que o impacto da recomposição salarial neste ano fique em pouco mais de R$ 519 milhões.

Aprovação

A expectativa de associações e sindicatos que representam policiais militares e civis, além dos bombeiros do DF, é que o texto seja aprovado pelos senadores e que a recomposição seja uma realidade regida por lei. Todos concordam que deixar a votação para o último dia foi muito ruim, mas, após diversas reuniões, houve acordo para que os pedidos feitos por meio de emendas sejam apreciados em um outro momento, mediante projetos de lei a serem elaborados.

O presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar do DF (Asof), tenente-coronel Jorge Eduardo Naime, ressalta que o importante é garantir a recomposição. “As emendas, vamos ver depois. O mais importante era conseguir o aumento. Concordamos com a retirada das emendas para facilitar a aprovação”, disse.

Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) ressalta que uma das emendas era muito importante para a categoria: a que garantia plano de saúde. Porém, hoje, o pensamento é não deixar a matéria caducar. “O plano de saúde vamos tentar discutir em projeto de lei. Agora, estamos preocupados em função do prazo da MP. Ela precisa ser aprovada nesta terça ou a perda será muito grande”, disse o presidente da entidade, Alex Galvão

Corrida contra o relógio

A votação da Medida Provisória nº 971 passou por sucessivos adiamentos no Congresso Nacional. Nesta terça-feira (22/9) completam 120 dias da publicação e acaba o prazo de validade da matéria. Ou seja, ela caduca.

 

Caso a medida não seja aprovada, além de perderem a recomposição salarial, policiais e bombeiros terão que devolver parte dos valores recebidos nos contracheques deste ano, retroativos a janeiro.

Para pavimentar uma votação rápida, o deputado Luis Miranda, relator da matéria na Câmara dos Deputados, rejeitou, na semana passada, as 74 emendas feitas ao documento que concede reajuste salarial a policiais militares, civis e bombeiros do DF.

“As carreiras que compõem a Segurança Pública e o governo federal concordam que o objetivo é garantir um texto que não traga insegurança e questionamentos futuros”, explicou Luis Miranda.

Segundo o parlamentar, foi feito um acordo para que o Palácio do Planalto encaminhe um novo projeto englobando as demandas das forças policiais.

Simulação

Pelo texto aprovado na Câmara dos Deputados, o salário de um agente da Polícia Civil do Distrito Federal, por exemplo, que hoje varia de R$ 8,7 mil a R$ 13,7 mil, ficará entre R$ 9,4 mil e R$ 14,8 mil. Delegados, que recebem entre R$ 16,8 mil e R$ 22,8 mil, passarão a ganhar de R$ 18,2 mil a R$ 24,6 mil.

No caso dos policiais militares, o piso salta de R$ 5,2 mil para R$ 6,5 mil. O impacto orçamentário anual estimado do reajuste é de pouco mais de R$ 519 milhões, dos quais R$ 370 milhões para atender 16.271 militares ativos, 14.214 inativos e 3.505 pensionistas. Na Polícia Civil, R$ 149 milhões suportarão o reajuste de 4.185 servidores ativos, 4.233 aposentados e 1.047 pensionistas.