Não tirem o microfone de Pazuello. Por Moisés Mendes

19 de dezembro de 2020 64

Originalmente publicado em BLOG DO MOISÉS MENDES

Por Moisés Mendes

 

Eduardo Pazuello está passando excesso de confiança nas aparições na TV. Colocou gravata, aprumou-se e parece impressionado com a própria voz.

O tom de Pazuello, antes vacilante, agora é categórico. O general pode estar a caminho do desastre que derruba os medíocres tomados pela soberba.

Pazuello acha que virou político e que pode ser um novo Mandetta. Esta semana, ele repetiu duas vezes, como se estivesse encantado com uma descoberta, que a data exata para início da vacinação é janeiro. A data exata é janeiro?

Pazuello disse na quinta-feira que haverá vacina para cada brasileiro. Bolsonaro disse logo depois que não haverá vacina para todos, ao condenar a decisão do Supremo de dar aos governos autoridade para punir quem não quiser se vacinar.

Na sexta, Pazuello disse que a decisão era vista com naturalidade e que haverá, sim, vacina para todos.

Pazuello já comprou a CoronaVac, que Bolsonaro mandou que devolvesse e depois mandou recomprar. E já disse que não há motivo para as pessoas estarem ansiosas.

O problema é que, sob pressão, Pazuello está com a síndrome do microfone, ou da latinha, como diz o pessoal de rádio.

Profissionais do microfone, no embalo, dizem bobagens. Amadores e despreparados, como é o caso de Pazuello, estão em risco permanente. Eles dizem grandes besteiras.

O ministro empolgou-se com a performance. Mas há uma bobagem engatilhada na boca de Pazuello, que pode ser disparada a qualquer momento. Pazuello é um perigo.

Só não tirem o microfone dele. Deixem o homem falar, se possível que discurse (ele já andou discursando). Pazuello é a aposta do grande desastre.

Fale mais, Pazuello, vença essa timidez, discurse para os jacarés e, se possível, contrarie Bolsonaro. Solte todas as bobagens represadas.

O SUS, os servidores da saúde, os Estados e os municípios vão compensar todas as besteiras ditas e cometidas pelo ministro que tenta deixar de ser interino, transitório e provisório. Te solta, Pazuello.