O CENÁRIO PARA BOLSONARO É MUITO RUIM, DE DIFÍCIL SOLUÇÃO E DEVE PIORAR.

1 de abril de 2019 245

Com indicadores econômicos ruim, com a falta de emprego batendo 16,8%, com mais de 13 milhões de desempregados e 4,4 milhões de desalentador, a dificuldade para aprovar a Reforma da Previdência deve aumentar consideravelmente. Outro fator que complica bastante, é a consistente e constante queda na popularidade e aprovação de Bolsonaro.

 

Tomando como princípio que a Reforma da Previdência e as privatizações são a sustentação do governo e a organização de uma base consistente no congresso seria a tropa de choque contra qualquer tentativa de impeachment, a situação de complica ainda mais. Enquanto as privatizações, em grande parte, não precisam de aprovação no congresso, o sustentáculo do governo contra um provável impeachment, simplesmente não existe. Bolsonaro tem grande dificuldade em organizar uma base parlamentar e vive em conflitos e críticas com a Câmara e o Senado.

Sem conseguir “comover”, nem mesmo o seu partido, o PSL, que é um amontoado de interesses particulares mais fragmentado que o MDB, o Ministro Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, do DEM, vive uma guerra interna pela liderança do partido, com o grupo de Rodrigo Maia. Já o Centrão, ao qual o DEM faz parte, não consegue o que sempre desejou desde que o grupo foi criado para o impeachment de Dilma Rousseff, cargos, verbas e participação no governo. Com isso, o Centrão articula pautas-bomba que são freadas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Bolsonaro, então, segue sem parte do PSL e as turras com o Centrão.

Já Rodrigo Maia é um episódio a parte que nem todos juram que a briga com o Planalto acabou. Só para lembrar, o Ministro da Justiça de Bolsonaro, Sérgio Moro, depois de quase entrar em guerra com o presidente da Câmara, prendeu o sogro de Maia. É bem difícil acreditar que esse episódio terminou com o amolecimento dos discursos, sem qualquer reunião ou encontro mais próximo. Por isso, no congresso, pouca gente acredita que o imbróglio foi resolvido.

Na outra ponta, as declarações de Bolsonaro são tão absurdamente nonsenses que trazem muitas dúvidas sobre suas atitudes. Nos setores mais progressistas e até mesmo, em alguns setores da centro direita, há grande temor de que haja o desejo de jogar com o caos no congresso, como forma de desmoralizar as instituições, em direção a dissolução da democracia. Na direita e extrema direita, há insatisfação pela ausência do governo nas articulações pela Reforma da Previdência e nos projetos que julgam importantes para gerar crescimento.

Para coroar, Bolsonaro vai o cinema em horário de trabalho e sai mais cedo para ir a encontro religioso, conhecido como “Escola de Hombridade”. Em meio à grande crise com o congresso, o presidente viajou para Israel.

Para muitos, trata-se de pouca experiência com o congresso. Mas, vale lembrar que Bolsonaro foi deputado por mais de 20 anos e somado às declarações dessa longa e quase inútil passagem pela Câmara, sua grande dificuldade nas relações democráticas com os demais poderes se dão pela incapacidade intelectual e truculência.

Portanto, nada dá sinais de mudança no panorama político, o que deve complicar ainda mais a economia e seus reflexos na sociedade. Se o mercado perder a paciência, o impeachment será considerado no máximo, no médio prazo.

Fábio St Rios

Estudou Ciência da Computação, Engenharia Metalúrgica na UFF, Engenheiro de Software, Desenvolvedor, Programador, Hacketivista e Estudante de História na UniRio.