O efeito Erika Hilton e o movimento dos partidos para atrair candidaturas LGBTQIA+

16 de fevereiro de 2026 20

A eleição de Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) não foi apenas um marco simbólico de avanço na representatividade no Congresso Nacional. Dentro do campo progressista, o feito passou a ser lido como um sinal de rearranjo eleitoral: pela primeira vez, o voto LGBT mostrou musculatura e capacidade de influenciar estratégias partidárias para além do discurso identitário.

O impacto foi imediato. Partidos de esquerda incorporaram o tema com mais centralidade, enquanto siglas de centro e até da direita passaram a olhar o eleitorado com pouco menos desdém. O crescimento de pré-candidaturas LGBT e a migração de nomes para legendas competitivas indicam que a pauta deixou de ser apenas de nicho e passou a integrar cálculos de voto, tempo de TV e engajamento digital.

No campo progressista, formou-se uma bancada informal que articula direitos civis e agendas amplas. Para o deputado distrital Fábio Felix (PSOL), pré-candidato à Câmara, o diferencial está na transversalidade: “A Erika é uma puxadora de votos porque fomenta o debate com elementos reais. Não fala só da pauta LGBT+, mas de temas de toda a sociedade”, diz. O deputado aposta que “esse voto útil da comunidade LGBT+ será uma grande surpresa na próxima eleição”.

Fora do Parlamento, a movimentação também cresce, especialmente por nomes inspirados na atuação das duas mulheres trans eleitas para o Congresso. Atualmente, ao menos 47 pré-candidaturas são contabilizadas, de acordo com a Aliança Nacional LGBT.  Uma delas é a drag Pikineia, cotada para disputar vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal pelo PSOL. “Colocar uma peruca, subir no palco e falar com as pessoas já é um ato político”, diz ela.

Movimento também à direita
O fenômeno não fica restrito à esquerda e desperta o olhar para pessoas do campo político oposto. Na direita, nomes como a influenciadora trans Sophia Barclay e João Pedro Sastre testam uma narrativa que é liberal nos costumes e crítica ao movimento identitário clássico. A aposta é tensionar com o campo progressista nas redes.

Para Toni Reis, presidente da Aliança Nacional LGBT, o momento é decisivo. “Não temos maioria no Congresso, mas conseguimos evitar retrocessos”, afirma, defendendo a ampliação da bancada. O efeito Hilton-Salabert, ao que tudo indica, inaugurou uma disputa que vai além da representatividade: trata-se agora de quem consegue transformar visibilidade em voto e pauta em poder institucional

Fonte: Caio Barbieri