O fator Rodrigo Maia, comentário por Amoraisa Morais

26 de maio de 2019 208

Por Amorazia Morais

Finalmente fui entender o sentido de “macabéas da polícia federal” a quem tanto se refere o articulista Armando Coelho Neto.

Aproveito para abrir um parêntese e responder ao comentário do SOARES:
-“Caríssimo, se as armas forem liberadas, os milicianos deixarão de trabalhar nas sombras, sem medo e sob as bênçãos do estado.”

Como quase todos os comentários foram no sentido de se apreciar as duas vias propostas, vou tentar raciocinar sobre a terceira opção:

“Cenário 3 – queda do governo e novo governo mediado pelo presidente da Câmara Rodrigo Maia. Aí, se trata do imponderável. Antes de apostar no fator Mourão, dificilmente o sistema aceitaria a hipótese Rodrigo Maia.”

Primeiramente, é de se ter em conta os objetivos dos grupos que planejaram o golpe.
Grupos coesos, num só conglomerado, orientados de fora, ainda que muitos não tenham conhecimento dos objetivos ou resultados de sua participação, a partir do presidente eleito.
Penso, como alguns aqui, que um destino de Grécia ou Líbia é o que nos foi perpetrado, porém, a estupidez do governante foi capaz de nos assinalar novas alternativas.

Partindo do entendimento de que nos queriam Grécia ou Líbia, a destruição do estado e do bem estar social é inevitável.

A humilhação do povo enquanto nação também é inevitável, embora menos sensível, quer pelo fato de que em poucos períodos na história termos levantado a cabeça, quer pelo fato de a maioria da população estar anestesiada pelo ódio aos governantes anteriores.

Assinale-se ainda a ilusão de “boas novas” e até mesmo a “evangelização do país, como o povo escolhido”.

Mas, suponhamos que haja a queda do governo e que surja um novo governo mediado pelo presidente da câmara Rodrigo Maia.

O “fofucho”, tão severamente menosprezado em seus meios desde a infância, pôde com isso, desenvolver as habilidades de perseverança, tolerância, simpatia e conciliação, sem perder a capacidade de reação e sem se deixar levar pela sensação de vitória antecipada, tão presente nos vencedores e vaidosos.

Assim, ele conseguiu ser aceito e respeitado no seu mister na câmara dos deputados.
Dos primeiros insultos quando de sua estréia, Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia conseguiu ser eleito e reeleito presidente da câmara dos deputados principalmente por se fazer respeitar até pelos seus adversários:

Exemplo:

“Ao tomar posse como presidente da Câmara na madrugada desta quinta-feira (14), Rodrigo Maia se emocionou ao falar de sua família. Ele agradeceu seus apoiadores, entre eles líderes da oposição a exemplo de Orlando Silva (PCdoB-SP) e Afonso Florence (PT-BA)…. – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2016/07/14/saiba-quem-e-rodrigo-maia-presidente-da-camara-ate-2017.htm?cmpid=copiaecola”

Assim, a hipótese de um governo mediado por ele não seria desprezível.

No cenário do poder, embora esteja cercado pelo exército, pelo STF e MPF, ele conseguiria fortalecer o espírito de corpo do legislativo e se tivesse juízo, poderia compor e convocar novas eleições, dando tempo para a formação de uma base razoável de governo.

Ou ainda, na ausência ou corrosão total do bozo, ele figuraria como um primeiro ministro moderador.

Se, eventualmente, o bozo cair e lhe sobrevier o mourão, permanecendo o Maia, ele teria habilidade suficiente para conter os arroubos do mourão, a ansiedade dos militares em quererem fechar o congresso e o judiciário e levaria o governo em banho maria até o final do mandato.

No mais, o povo sofrerá as perdas que lhe foram destinadas, tanto de patrimônio quanto de bem estar.