O gesto de Alcolumbre que tirou do PT um trunfo na corrida presidencial
A proposta que reduz a jornada de trabalho era prioridade para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por seu grande apelo eleitoral: além de ser apoiada por cerca de 75% da população, é o melhor caminho mapeado pela campanha para o petista se aproximar do eleitor mais jovem, público com o qual ele tem enfrentado dificuldades. O pano de fundo, claro, é a ideia de trabalhar menos e ter mais tempo livre. O plano que já havia sofrido um revés na quarta-feira, 2, acabou abatido em pleno voo no dia seguinte com o anúncio da decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de submeter a proposta a votação no plenário apenas depois do resultado da corrida presidencial.
O Planalto até vinha tentando que a votação ocorresse em um novo esforço concentrado, entre o primeiro e o segundo turnos, para ter mais uma chance de ver a redução da jornada aprovada, mas não obteve sucesso. Na prática, Alcolumbre tirou de Lula a chance de explorar o assunto em busca de votos que ainda não tem. O anúncio de que a votação da PEC ficará para depois das eleições foi feito pelo próprio presidente do Senado, em resposta ao senador Paulo Paim (PT-RS), que havia feito um apelo pela votação. Líderes governistas foram pegos de surpresa.
“Dizer para Vossa Excelência e para o Brasil que Vossa Excelência estará votando, após as eleições, o fim da escala 6×1 aqui no Senado Federal”, disse Alcolumbre do alto da Mesa Diretora. Além de indicar que a proposta não irá a votação antes do segundo turno, Alcolumbre também faz um gesto para a oposição, que perde votos ao se posicionar contra a redução da jornada.
Alcolumbre, que se reconciliou com Lula recentemente, joga com os dois lados. Ele quer ser reconduzido à presidência do Senado a partir do ano que vem e, para isso, precisará de votos dos de ambos os campos políticos — a base governista e a oposição bolsonarista. Entre seu plano de garantir mais dois anos no comando da casa e o desejo de Lula de ver a proposta aprovada para se tornar mais popular na corrida eleitoral, a primeira opção falou mais alto. Apesar disso, entre os governistas a ordem é não confrontar o presidente do Senado. A leitura dominante é que, mesmo com a decisão sobre a PEC da 6×1, boa parte dos compromissos que ele havia firmado com Lula foi cumprida. O governo ainda conta com a possibilidade de aprovar a PEC da Segurança, outra pauta considerada importante para o presidente e para sua campanha à reeleição