O motivo para Flávio Bolsonaro emitir e cancelar notas fiscais de R$ 500 mil a empresa ligada ao Banco Master

23 de julho de 2026 19

O escritório de advocacia do pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu duas notas fiscais para uma empresa que recebeu repasses do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Os documentos eram de R$ 500 mil cada, enviados à Copenhagen Assessoria e Consultoria, e foram cancelados no mesmo dia.

A empresa tinha como diretor Artur Figueiredo, gestor da administradora de fundos Trustee DTVM. Artur e a Trustee são citados nas investigações do caso Master. Ambos têm suspeita de participação nas fraudes financeiras do banco.

Em uma publicação nas redes sociais, o senador afirma que não quis prestar serviços advocatícios para a empresa.

— Fiz um trabalho para uma empresa. Fui contratado para isso e prestei serviços advocatícios. Relação completamente legal e privada. Em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por Vorcaro para fazer pagamentos a algumas pessoas. Não foi o meu caso. Estou tendo que explicar porque eu não recebi o dinheiro dessa empresa. Cancelei duas notas fiscais” — disse Flávio.

Relembre caso do Banco Master

Daniel Vorcano é dono do Banco Master (Foto: Reprodução, Wikimedia Commons)

O banco ganhou projeção no mercado financeiro em 2018 (Foto: Reprodução, YouTube)

Vorcano nasceu em Belo Horizonte (Foto: Reprodução, YouTube)

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Vorcaro foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal em novembro (Foto: Reprodução, YouTube)

A operação visa combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras (Foto: Reprodução, YouTube)

Escritório de Flávio Bolsonaro emitiu nota para outra empresa dois dias depois

A Trustee afirma que Figueiredo era apenas representante de um fundo na Copenhagen e não cuidava dos negócios da empresa. A empresa recebeu R$ 57,9 milhões do Master entre 2024 e 2025, conforme documentos da Receita obtidos pela CPI do Crime Organizado.

Dois dias depois, o escritório de Flávio emitiu uma nota fiscal de R$ 500 mil para outra empresa, a Contábil Correa, pelo serviço de “assessoria jurídica”, de acordo com nota fiscal emitida em 9 de abril de 2025. As informações são do g1.

Contábil Corrêa está registrada em nome de Rogério Novo, que virou diretor da Copenhagen cinco meses depois, em setembro de 2025, no lugar de Artur Figueiredo.

O que diz a empresa?

Procurada pelo g1, a Trustee DTVM afirma que, como administradora do fundo Estônia Multiestratégia, que investe em ações da Copenhagen Assessoria e Consultoria “não tinha ingerência sobre as relações comerciais da empresa nem da definição de qualquer pagamento ou negociação entre a companhia e o Banco Master para ocultar patrimônio de quem quer que seja”.

— Durante todo o período em que exerceu a função na companhia, a atuação de Artur Figueiredo observou rigorosamente a legislação aplicável, os procedimentos de governança, controles internos e compliance então vigentes — destacou.

empresa afirmou ainda que Figueiredo não tinha participação nos contratos e no dia a dia da empresa.

 

Fonte: Kauê Alberguini