O motivo para Flávio Bolsonaro emitir e cancelar notas fiscais de R$ 500 mil a empresa ligada ao Banco Master
O escritório de advocacia do pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu duas notas fiscais para uma empresa que recebeu repasses do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Os documentos eram de R$ 500 mil cada, enviados à Copenhagen Assessoria e Consultoria, e foram cancelados no mesmo dia.
A empresa tinha como diretor Artur Figueiredo, gestor da administradora de fundos Trustee DTVM. Artur e a Trustee são citados nas investigações do caso Master. Ambos têm suspeita de participação nas fraudes financeiras do banco.
Em uma publicação nas redes sociais, o senador afirma que não quis prestar serviços advocatícios para a empresa.
— Fiz um trabalho para uma empresa. Fui contratado para isso e prestei serviços advocatícios. Relação completamente legal e privada. Em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por Vorcaro para fazer pagamentos a algumas pessoas. Não foi o meu caso. Estou tendo que explicar porque eu não recebi o dinheiro dessa empresa. Cancelei duas notas fiscais” — disse Flávio.
Relembre caso do Banco Master

Daniel Vorcano é dono do Banco Master (Foto: Reprodução, Wikimedia Commons)

O banco ganhou projeção no mercado financeiro em 2018 (Foto: Reprodução, YouTube)

Vorcano nasceu em Belo Horizonte (Foto: Reprodução, YouTube)

Vorcaro foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal em novembro (Foto: Reprodução, YouTube)

A operação visa combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras (Foto: Reprodução, YouTube)
Escritório de Flávio Bolsonaro emitiu nota para outra empresa dois dias depois
A Trustee afirma que Figueiredo era apenas representante de um fundo na Copenhagen e não cuidava dos negócios da empresa. A empresa recebeu R$ 57,9 milhões do Master entre 2024 e 2025, conforme documentos da Receita obtidos pela CPI do Crime Organizado.
Dois dias depois, o escritório de Flávio emitiu uma nota fiscal de R$ 500 mil para outra empresa, a Contábil Correa, pelo serviço de “assessoria jurídica”, de acordo com nota fiscal emitida em 9 de abril de 2025. As informações são do g1.
A Contábil Corrêa está registrada em nome de Rogério Novo, que virou diretor da Copenhagen cinco meses depois, em setembro de 2025, no lugar de Artur Figueiredo.
O que diz a empresa?
Procurada pelo g1, a Trustee DTVM afirma que, como administradora do fundo Estônia Multiestratégia, que investe em ações da Copenhagen Assessoria e Consultoria “não tinha ingerência sobre as relações comerciais da empresa nem da definição de qualquer pagamento ou negociação entre a companhia e o Banco Master para ocultar patrimônio de quem quer que seja”.
— Durante todo o período em que exerceu a função na companhia, a atuação de Artur Figueiredo observou rigorosamente a legislação aplicável, os procedimentos de governança, controles internos e compliance então vigentes — destacou.
A empresa afirmou ainda que Figueiredo não tinha participação nos contratos e no dia a dia da empresa.