O MPF precisa ser defendido daqueles que o usam como escada

4 de maio de 2019 259

Em tempos der irracionalidade, não adiante chamar à razão. Por aqui mesmo, várias vezes alertava o Ministério Público Federal do suicídio que cometia investindo contra os demais poderes, contra direitos individuais e contra a própria Constituição da maneira mais irresponsável possível.

Deu-se plena liberdade à Lava Jato. Vendo a popularidade da operação, o próprio Procurador Geral da República Rodrigo Janot entrou na onda. Liquidou com os sistemas de autocontrole da instituição, permitiu que o MPF fosse agente ativo da manobra inconstitucional do impeachment. O poder incumbido de defender a Constituição entrou de cabeça nas libações do punitivismo mais primário. Os jovens procuradores passaram a se inspirar no exemplo dos deslumbrados da Lava Jato. Abuse do seu poder, cometa arbitrariedades, vaze informações para mídia. Depois vá comemorar com a torcida mais um gol. E o MPF que exploda, que sirva apenas de escada para carreiras individuais. E quem critica é inimigo da instituição e defensor da corrupção.

Hoje se tem um partido dentro do MPF, a Lava Jato, que se tornou mais poderoso que a própria instituição. Um poder de Estado partidarizado, entrando no jogo político e das celebridades, ameaçando o próprio Supremo Tribunal Federal e correndo o risco de ter um procurador do nível de um Airton Benedito como Procurador Geral.

Como declarou ontem Bolsonaro, só respeitará a lista tríplice se “houver um dos nossos lá”. Não tem sentido nomear um inimigo, disse ele, com a objetividade dos toscos.

A partir de agora, haverá procuradores se tornando evangélicos, saudando Bolsonaro como o novo Jesus Cristo, deblaterando contra o marxismo cultural e disputando o apoio das milícias digitais.

Prezados procuradores, Jair Bolsonaro é coisa vossa, e do Ministro Luis Roberto Barroso. Mas a independência do MPF continuará sendo peça central da democracia. Daí a importância do MPF ser defendido contra os que pretendem apenas usá-lo de escada.