O que se sabe sobre a brasileira desaparecida na Ucrânia
A paraibana Silvana Vicente Pilipenko, de 53 anos, está desaparecida desde o último dia 3 de março, quando conversou com a família, pela última vez, por meio de mensagens de texto. Ela mora na cidade de Mariupol, na Ucrânia, que está cercada por tropas russas desde 28 de fevereiro. O g1 fez um levantamento com tudo o que se sabe sobre o desaparecimento de Silvana e a situação da cidade.
Como foi o último contato?

Em último vídeo enviado a parentes, paraibana desaparecida na Ucrânia falou sobre situação
O último contato da artesã Silvana Vicente Pilipenko com os familiares em João Pessoa, na Paraíba, aconteceu no dia 3 de março. u dia antes do desaparecimento, ela mandou um vídeo para a família falando sobre a situação na cidade..
O vídeo enviado para a família no dia 2 de março foi gravado na casa da sogra de Silvana, onde ela estava com o marido, Vasyl Pilipenko. Ela relatou que a cidade estava cercada e que, por causa disso, não havia como sair do município. No mesmo vídeo, ela contou à família que a comunicação poderia ficar difícil por causa da falta de energia elétrica.
“Ontem a internet foi cortada, a energia também, então ficamos sem internet, sem energia, nossos celulares ficaram sem bateria, o computador também, o apartamento ficou sem aquecimento”, disse no vídeo datado de 2 de março.
Nas redes sociais, Silvana chegou a compartilhar informações sobre o início da guerra, como a falta de produtos no supermercado e o barulho de explosões pelos ataques com bombardeios em Mariupol.
O que diz o Itamaraty?
Nesta quarta-feira (16), o Itamaraty enviou uma nota à imprensa informando que tem conhecimento do caso e que, por meio do escritório de apoio em Lviv, tem mantido contato regular com familiares de Silvana.
"A cidade está cercada pelas forças armadas, todas as saídas estão minadas, então é impossível tentar sair daqui nesse momento. Basicamente Mariupol faz fronteira com a Rússia, o país atacante, então não podemos seguir nessa direção. Se fôssemos para outra direção, no sentido Polônia ou Hungria, teríamos que atravessar todo território, o que não seria viável diante das circunstâncias e da distância”, explicou.
Mesmo com a dificuldade, todos os dias ela se comunicava com a família, até que o último contato foi feito no dia 3 de março, por meio de uma mensagem de texto.
A nota diz ainda que organizações internacionais de apoio humanitário presentes em Mariupol já foram acionadas com vistas a tentar localizar a cidadã brasileira.
Como está a situação na cidade de Mariupol
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Mapa mostra o cerco a Mariupol — Foto: BBC
Mariupol é uma cidade portuária no leste da Ucrânia e que está sob cerco do exército russo desde 28 de fevereiro. Autoridades ucranianas explicam que o fechamento do município pelas tropas russas faz com que a população fique sem acesso a água, energia e gás para aquecimento, além de dificultar a saída dos civis, que são interceptados pelas tropas da Rússia.
Na segunda-feira (14), o conselheiro presidencial da Ucrânia, Oleksiy Arestovych, disse que mais de 2.500 moradores da cidade haviam morrido desde que a Rússia invadiu o país em 24 de fevereiro. As informações foram repassadas para Oleksiy pela administração da cidade. Imagens registradas por satélites da empresa americana Maxar mostraram a destruição causada por bombardeios russos em Mariupol.
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Imagens de satélite mostram rastro de destruição na cidade de Mariupol, no sul da Ucrânia — Foto: MAXAR TECHNOLOGIES/via Reuters
Ao longo da semana passada, diversos corredores humanitários foram abertos para saída de civis da zona de conflito, mas como os acordos de cessar-fogo na região não foram respeitados, os moradores não conseguiram sair.
Na última segunda, segundo a administração de Mariupol, um grupo de 160 carros com civis finalmente conseguiu deixar a cidade por meio de corredores humanitários.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, falou que o cerco a Mariupol e a outras cidades é parte do plano russo de humilhar os ucranianos, para que eles tenham que implorar por comida e água, e buscar refúgio em territórios ocupados ou na própria Rússia.
Quem é a paraibana desaparecida na Ucrânia

Família fala sobre desaparecimento de Silvana na Ucrânia
Silvana nasceu na Paraíba e é artesã. Ela conheceu o marido, um capitão da marinha mercante, na cidade de Santos, em São Paulo. Segundo a mãe dela, Antônia Vicente, a família foi morar em Monte Alto, no interior de São Paulo e ela conheceu Vasyl em uma festa na casa da irmã dela em Santos.
“Eles começaram a namorar e com dois meses casaram. A festa de casamento foi na praia, muito grande, passou na televisão e tudo. Ela não quis nada de presente, disse: ‘eu não quero, já tenho tudo que a pessoa precisa dentro de uma casa. Vou querer cestas básicas para doar'”, disse Antônia.
Silvana foi morar com Vasyl na Ucrânia e o casal, que está junto há 26 anos, tem um filho, que está a trabalho em Taiwan. Ele informou que vai tentar entrar na Ucrânia para procurar por notícias da mãe.
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Silvana Pilipenko é casada há 26 anos com um ucraniano e o casal tem um filho que mora em Taiwan — Foto: Antônia Vicente/acervo pessoal