Onde está Alcolumbre? Silêncio do presidente do Senado irrita a oposição

17 de setembro de 2026 18

Por onde anda Davi Alcolumbre? Essa é a pergunta que senadores de oposição passaram a se fazer após o desfecho (ou a falta dele) da sessão extraordinária do STF (Supremo Tribunal Federal) desta terça-feira, 15, originalmente convocada para discutir o futuro do ministro Alexandre de Moraes na corte e interrompida por um pedido de vista de Flávio Dino. Parlamentares ouvidos pelo PlatôBR relatam dificuldades em contatar o presidente do Senado em meio à indefinição sobre uma saída para a crise mais grave já enfrentada pelo Supremo.

Um senador da oposição, ouvido sob reserva, afirmou à reportagem que Alcolumbre “submergiu” após o fim da sessão e deixou de retornar os contatos de colegas que pressionam pelo avanço dos pedidos de impeachment de Moraes como resposta institucional do Senado às acusações que pesam contra o ministro e sua relação de proximidade com Daniel Vorcaro, do Banco Master. “Acho que, considerando o momento do país, o Senado não pode se acovardar e se omitir”, disse o parlamentar, acrescentando que vê o Alcolumbre “pressionado e intimidado”.

O diagnóstico não se restringe à oposição. Parlamentares dizem enfrentar dificuldades até para acionar Alcolumbre por meio da Secretaria-Geral da Mesa ou de seus assessores. “Não tem nenhum avanço com o presidente Alcolumbre”, resumiu outro senador, também sob reserva. Entre integrantes do Centrão, o cenário descrito é semelhante: quem tenta falar com o presidente do Senado não tem conseguido. Alcolumbre está no Amapá, onde participa de agendas de campanha de aliados.

No entorno do senador, o silêncio é interpretado como mais um sinal da indisposição de Alcolumbre em levar adiante os pedidos pelo afastamento de Moraes do STF. Diante da inércia, lideranças passaram a pressionar por uma reunião de líderes para discutir o andamento das solicitações. Recentemente, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, propôs alterar o rito interno para permitir o avanço automático de pedidos de impeachment quando for alcançado o apoio da maioria dos senadores, sem depender de uma decisão individual do presidente.

Fonte: Victor Fuzeira