Onze fatos que marcaram o 2º turno em Santa Catarina e no Brasil
Mario Hildebrandt, eleito em Blumenau, recebeu a segunda maior votação proporcional neste segundo turno e a primeira mais expressiva entre as cidades do interior (Foto: Patrick Rodrigues)
Neste domingo (29), cerca de 26,5 milhões de eleitores compareceram às urnas em 57 cidades do Brasil para o segundo turno das eleições municipais 2020. Entre elas, 18 capitais tiveram o futuro prefeito escolhido. Em Santa Catarina, Blumenau e Joinville decidiram na segunda rodada a disputa pelo comando do poder executivo nos próximos quatro anos. Mario Hildebrandt (Podemos), por exemplo, ao vencer em Blumenau se destacou com a maior votação proporcional entre as cidades do interior e a segunda maior deste segundo turno. Já Adriano Silva, eleito em Joinville, é o primeiro prefeito do partido Novo no país.
?> Confira os prefeitos eleitos nas 18 capitais que tiveram 2º turno?
As eleições do segundo turno registraram o fortalecimento de partidos tradicionais, como o MDB e o DEM, mas realçaram o enfraquecimento do PT, que exerceu grande influência na política dos municípios e dos Estados entre 2003 e 2016.
Na disputa deste domingo, teve prefeito eleito no quarto de hospital, candidato vitorioso que estava de luto um dia após perder a mãe, decisões apertadas, vitórias de lavada e abstenção acima do esperado pelo Superior Tribunal Eleitoral, devido à pandemia de coronavírus.
Confira alguns destaques do segundo turno destas eleições, que já entra para a história devido às restrições da pandemia de coronavírus:
A maior diferença de votos no segundo turno
Em Boa Vista, Arthur Henrique obteve 116.792 votos no segundo turno, o que concedeu a ele 85,36% dos votos válidos, contra 14,64% de Ottaci (Solidariedade). Foi a maior diferença proporcional na eleição deste domingo.

O resultado de Mario Hildebrandt (Podemos), em Blumenau, foi o segundo maior do segundo turno em todo o país e o primeiro entre as cidades do interior. Ele obteve 72,1% dos votos válidos contra 27,9% de João Paulo Kleinübing (DEM). Foram 44,2 pontos percentuais que separaram Hildebrandt do adversário.
A votação mais apertada
Em três cidades do país, a diferença dos votos válidos recebidos pelos candidatos foi menor do que 2 pontos percentuais, transformando o resultado nas disputas mais acirradas do segundo turno. Em Taboão da Serra (SP), Aprigio (Podemos) obteve 50,63% dos votos contra 49,37% de Engenheiro Daniel (PSDB). A diferença entre os dois foi de 1.695 votos.
Também no Estado de São Paulo, em Mauá, Marcelo Oliveira (PT) obteve 50,74% dos votos contra 49,26% de Atila (PSB). A diferença entre os dois foi de 2.676 votos. Já em São Gonçalo (RJ), 50,79% dos votos foram para Capitão Nelson (Avante) contra 49,21% de Dimas Gadelha (PT). A diferença foi de 5.908 votos.
A capital com o resultado mais apertado foi Manaus, onde David Almeida (avante) obteve 51,27% dos votos válidos contra 48,73% de Amazonino Mendes (Podemos).
Primeiro prefeito do partido Novo no país é de SC

É de Santa Catarina o primeiro prefeito do partido Novo no Brasil. Adriano Silva, futuro chefe do Executivo em Joinville, venceu Darci de Matos (PSD) com 55,43% dos votos válidos. Com regras distintas de outras siglas, como processo seletivo para os candidatos, pagamento de mensalidade de membros e renúncia às verbas do fundo eleitoral, o partido Novo foi criado em 2011 por pessoas sem carreira política. Em 2018, elegeu um governador: Romeu Zema, de Minas Gerais.
Apuração foi mais rápida em SC do que no primeiro turno

Em Santa Catarina, os primeiros dados começaram a ser liberados às 17h40min pelo Tribunal Superior Eleitoral, a partir de votos apurados em Blumenau. Em Joinville, começou às 17h59min. O primeiro turno não teve os contratempos registrados no primeiro, com gargalo no carregamento das informações devido à centralização da apuração no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.
O prefeito Mario Hildebrandt (Podemos) foi considerado eleito matematicamente às 18h10min, quando havia 72,68% das urnas apuradas. Naquele momento, Mario tinha 72% contra 28% de João Paulo Kleinübing (DEM).
Já em Joinville, o novo prefeito foi conhecido às 18h52min, quando a carga de dados do TSE totalizou 99,7% e deixou Adriano Silva (NOVO) com 55,42% dos votos válidos contra 44,58% de Darci de Matos (PSD).?
Apuração mais ágil nas capitais
A rapidez na apuração em relação ao primeiro turno foi observada em outros estados também. A primeira capital do país a ter decretado o resultado foi Belém (PA), às 17h40min. Em seguida, está Vitória (ES), que já conhecia o futuro prefeito às 17h50min.
O prefeito mais jovem e o mais velho das capitais

?João Campos (PSB) é o prefeito mais jovem das capitais brasileiras. Aos 27 anos, ele conquistou 56,27% dos votos válidos e venceu a prima Marilia Arraes (PT) para comandar a prefeitura do Recife, em Pernambuco, a partir de 1º de janeiro.

Já aos 74 anos, Dr. Pessoa será o mais velho a assumir o cargo de prefeito de uma capital em 1º de janeiro. Ele foi eleito prefeito de Teresina, no Piauí, com 62,31% dos votos, superando o adversário Kleber Montezuma (PSDB).
Vitória em meio ao luto

Em Manaus, o candidato David Almeida (Avante) foi eleito no dia do enterro da própria mãe. Rosa Almeida morreu no sábado, 28, vítima de complicações da covid-19. David recebeu 51,27% dos votos válidos contra 48,73% de Amazonino Mendes (Podemos). Manaus foi uma das cidades mais afetadas pela pandemia de coronavírus em todo o país, sofrendo colapso do sistema de saúde.
Prefeito eleito internado em hospital

O prefeito de Goiânia, Maguito Vilela (MDB), foi eleito mesmo internado há duas semanas, entubado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, devido a complicações da covid-19. Ele obteve 52,52% dos votos válidos, contra 47,48% de Vanderlan Cardoso (PSD). Vilela, que tem 71 anos, perdeu duas irmãs recentemente devido à covid-19.
Cidades sem vencedor definido, mesmo no 2º turno
Em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, o candidato mais votado foi Wladimir Garotinho (PSD), com 52,4% dos votos válidos, contra 47,6% de Caio Vianna (PDT). Apesar de estar na frente, Garotinho teve os votos anulados pela Justiça Eleitoral, porque teve a candidatura indeferida. Os recursos do candidato ainda precisam ser julgados para confirmar o resultado das urnas oficialmente.
O mesmo aconteceu em outra cidade do Rio de Janeiro: Petrópolis. Rubens Bomtempo (PSB) obteve 55,18% dos votos válidos contra 44,82% de Bernardo Rossi (PL), mas teve o resultado anulado temporariamente pela Justiça Eleitoral.
Onde mais eleitores faltaram às urnas

Goiás registrou o maior índice de abstenção neste segundo turno: 35,92% dos eleitores de Goiânia e de Anápolis deixaram de comparecer às urnas neste domingo (29) para escolher o futuro prefeito. Em Santa Catarina, o índice foi de 29,38% entre os eleitores de Joinville e Blumenau.
Com 100% das seções eleitorais apuradas, a abstenção dos eleitores no Brasil foi de 29,5%, equivalente a 11,1 milhões de pessoas. Para o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, a abstenção foi maior do que desejável pela Justiça Eleitoral. Barroso afirmou que a pandemia da covid-19 fez com que parte do eleitorado deixasse de comparecer às urnas por medo de contaminação pelo novo coronavírus.
PT não venceu nas capitais

Entre os maiores partidos do país, o principal derrotado é o PT. A sigla concorria a duas capitais no segundo turno: Vitória (ES) e Recife (PE). Mas perdeu nas duas. Com isso, o partido não conseguiu eleger prefeitos em nenhuma das 26 capitais. É a primeira vez que isso ocorre desde 1985.