OPERAÇÃO JUMBO: ‘Baleia’ usava ‘celular do corre’ para gerir negócios paralelos

21 de maio de 2022 79

Próximo a pessoas ligadas à facção criminosa Comando Vermelho, Tiago Gomes de Souza, popularmente conhecido como “Baleia”, desenvolveu uma comunicação paralela para gerenciar seus negócios ilícitos. Decisão que culminou na deflagração da Operação Jumbo aponta que o suspeito usava um “telefone do corre” para gerir seus contatos.

Conforme a decisão, assinada pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Ana Cristina Mendes, há indícios que apontam que Baleia utilizava um número de telefone no nome de outra pessoa para contatar Tcharles Rodrigo Ferreira de Moraes – que seria a ponte de Tiago com o tráfico em Mirassol D’Oeste.

Contudo, a utilização deste número em particular seria apenas uma das partes daquilo que a Polícia Federal e o Ministério Público de Mato Grosso chamaram de “circuito fechado de comunicação”. Segundo as instituições, os investigados na operação trocavam de telefone constantemente para despistar a polícia.

“(Tiago) tendo aperfeiçoado sua atuação com a criação de um circuito fechado de comunicação utilizado para comunicar-se exclusivamente com pessoas vinculadas ao tráfico de drogas, passando a atuar como um dos financiadores da traficância e assumindo o papel de liderança da suposta Organização Criminosa, estabelecida com vinculação com a facção criminosa Comando Vermelho”, narra trecho da decisão.

Segundo a decisão, tanto Baleia quanto parte significativa dos demais alvos da operação possuíam registros de ocorrências policiais. No caso de Tiago, há evidências de envolvimento com tráfico de drogas desde 2005, ano em que o suspeito atingiu a maioridade.

Posteriormente, em 2014, o patrimônio de Baleia e sua esposa, Franciely Vieira Botelho, começou a saltar exponencialmente, sem “qualquer histórico financeiro que justificasse a evolução”. O dinheiro, conforme investigado, seria fruto do tráfico de drogas em que os valores captados eram lavados por meio de postos de combustíveis.

No documento, é destacado que em 2014, 3 anos após a última prisão de Baleia, ele abriu o Posto Jumbo avaliado em R$ 500 mil. Hoje, conforme destacado, o empreendimento vale R$ 5 milhões, 10 vezes o valor inicial.

Neste ínterim, outros bens foram adquiridos pelo casal, a exemplo de carros de luxo, outro posto de combustível e propriedades.

Operação

Baleia foi preso na segunda-feira (16) em sua casa no condomínio de luxo Alphaville, onde policiais cumpriram também mandados de busca e apreensão.

As investigações apontavam que a quadrilha, que tinha Baleia como um dos “chefões”, usava os postos para lavar o dinheiro obtido no tráfico de drogas.

Por isso, a operação foi batizada com o nome de um dos locais alvos dos mandados de busca, o auto posto Jumbo.

A investigação ganhou corpo após o Grupo Especial de Fronteira e a Inteligência da Polícia Militar interceptar dois carregamentos de cocaína. A droga apreendida totalizou 210 kg.

Foi descoberto então que a quadrilha comprava a droga em Porto Esperidião, guardava em Mirassol D’Oeste e depois fazia a distribuição por Cuiabá. Em 4 anos de ação, o grupo movimentou R$ 350 milhões.

Fonte: GazetaDigital/GD