Opressão partidária
O artigo da deputada federal pelo PDT-SP Tabata Amaral "Além das amarras ideológica" (Folha, 15-7), que sofreu ameaças de expulsão por ter votado a favor da Reforma da Previdência, contrariando o posicionamento da chefia de seu partido, confirma o fracasso do nosso atual sistema político, fundamentado no pluripartidarismo presidencialista. A multidão de partidos não representa os anseios da sociedade brasileira, mas apenas os interesses de nichos políticos cujos chefes se arrogam o direito de impor suas vontades e dispor do dinheiro do fundo eleitoral e das doações de campanhas. Algumas vezes, a briga entre eles leva à criação de um novo partido, como pastores evangélicos fundam novas igrejas.
Às favas tantas ideologias, de esquerda ou de direita! Não precisamos mais de dois partidos, um com orientação mais social e outro mais liberal. O mais votado indicaria um Primeiro Ministro para formar um governo que atendesse às necessidades gerais da Nação. O partido vencedor, tendo maioria absoluta no Congresso Nacional, não precisaria barganhar o apoio parlamentar para legislar. Se não tivesse sucesso, o Primeiro Ministro poderia ser substituído a qualquer momento. O Presidente da República, escolhido pelo Parlamento a partir de uma lista de cidadãos notáveis sem envolvimento com partidos políticos, teria função apenas representativa, sem prazo de mandato. Tal sistema político, pela sua simplicidade e eficiência, é adotado nos países mais civilizados, que não precisam de heróis, líderes famosos,"salvadores da pátria". Pouca gente, no mundo inteiro, sabe quem governa na Holanda ou na Nova Zelândia! Que a querida Tabata Amaral tenha sucesso na sua campanha de renovação política no nosso País!
Salvatore D' Onofrio
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
www.salvatoredonofrio.com.br
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