Os dividendos eleitorais para Lula depois do tarifaço e do carimbo de terrorista
Publicamente, o governo tem condenado as decisões dos Estados Unidos de classificar como organizações terroristas o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital), e de impor novas tarifas aos produtos brasileiros. A ordem oficial é buscar canais de diálogo com a gestão de Donald Trump para tentar suspender as duas medidas.
Entretanto, nos bastidores, o clima no Palácio do Planalto é de otimismo com os possíveis dividendos eleitorais que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode colher se calibrar o discurso para colocar a culpa no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e reforçar a mensagem de que a soberania do Brasil não pode ser ameaçada por outros países.
Na prática, conselheiros do petista apostam em aumento da popularidade de Lula, assim como ocorreu em 2025, quando Trump anunciou as primeiras sobretaxas. Outra fonte de otimismo dentro do governo vem do avanço das investigações sobre o caso Master. A avaliação, neste momento, é de que Flávio, seus familiares e políticos aliados devem ser comprometidos em uma possível delação do banqueiro Daniel Vorcaro e nas investigações em curso pela Polícia Federal, o que favorecerá o petista eleitoralmente.
Caso as investigações avancem nesse sentido, o prognóstico é de que Lula conquiste eleitores indecisos e que a rejeição de Flávio aumente. Um cenário alternativo admitido por um auxiliar do petista é de que aliados do presidente da República sejam comprometidos nas investigações, o que traria instabilidade também para a campanha governista. Apesar do risco, a avaliação neste momento é de que mais bolsonaristas, e com maior gravidade, devem ser implicados nos rolos de Vorcaro.