Os Labubus invadiram a Copa
Ora, de certa forma, a América Latina, o Brasil em especial, sempre foi surrealista. Na terra de Macunaíma o impossível sempre marcou presença, daí o nosso inesquecível Tom Jobim ter dito que nosso país “não é para principiantes”. O que isto significa? Muita coisa e coisa alguma, é claro. Mas, com certeza, que se alguma coisa de diferente pode acontecer no mundo seria por aqui. Isto não é verdade. É verdade que nós, brasileiros, temos uma propensão imensa para a antropofagia intelectual, até mesmo um certo diversionismo em relação à realidade. Basta ver que as narrações, por aqui, ganham foro de verdade e se sustentam-por mais inverossímil que sejam. De certa forma temos o pendor de jaboticaba. O lado bacharelesco de nossa inteligência é amante da ambiguidade e da ambivalência, de modo que, entre nós, há um pêndulo desregulado entre liberdade e regulação. É como se fosse um oceano no qual não temos nunca certeza se navegamos ou vamos sendo levados. De qualquer forma- como comprovam nossas melhores mentes-costumamos fazer análises históricas, antropológicas, econômicas e outras de acordo com as nossas necessidades presentes, nossas conjunturas. Enfim, o que desejo dizer é que, em tese, é mais fácil existirem coisas exóticas, estapafúrdias no nosso trópico, por aqui abaixo da linha do Equador. Vamos dizer assim que nós gostamos de despradonizar, de fugir das regras-vide o jeitinho brasileiro. Por isto sou um adepto do meu ex-professor Darcy Ribeiro, que dizia que ser o Brasil é uma "nova Roma": uma civilização mestiça e tropical, destinada a protagonizar o futuro. Hoje alimento mais dúvidas a este respeito até pelo atual fenômeno da globalização que está destruindo-antropofagicamente-tudo. Tanto que até na abertura da Copa aconteceu uma molecagem bem brasileira. O personagem da Pop Mart, Labubu, apareceu durante a transmissão do evento chamando a atenção do público, roubando a cena nas redes sociais e reforçando o status de um dos maiores fenômenos da cultura pop atual. Labubu? Que é isto? Ah! Minha brava gente desinformada trata-se de um personagem criado, em 2015, pelo artista de Hong Kong Kasing Lung, inspirado na mitologia nórdica e contos de fadas; que parte da série de livros e brinquedos The Monsters. É frequentemente descrito como ugly cute ("feio fofo") por sua estética lúdica e um pouco macabra. O que não impede que o boneco tenha viradio um acessório de moda muito utilizado como chaveiro em bolsas de luxo por celebridades. E saibam que a aparição na Copa acontece no momento da chegada oficial da Pop Mart ao Brasil. Conhecida mundialmente por personagens como Labubu, Skullpanda, Cry Baby e Hirono, a marca se consolidou como referência no segmento de blind boxes e colecionáveis de design, conquistando especialmente o público jovem e os adeptos da chamada cultura kidult. Aqui também é preciso esclarecer que kidukt, (criança, e adult, adulto) refere-se a pessoas crescidas que consomem produtos, mídias e experiências tradicionalmente associadas ao universo infantil ou adolescente. Estes adultos buscam nos brinquedos e hobbies uma forma de lidar com as pressões da vida moderna e uma pausa relaxante em suas rotinas estressantes. Qua!Qua! Que não pensem, por favor, que entendo nada deste universo. Só fui pesquisar com a intromissão do boneco na Copa e devo dizer que, como sempre, não sei de nada. As informações são do Google e da Inteligência Artificial. E que penso do boneco? Não me comprometam. O julgamento é de vocês!!!
(*) É doutor em Desenvolvimento Sócio-Ambiental.
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A POLITICA VISTA POR UM POETA ( SILVIO PERSIVO
Colaborador do quenoticias.com.br, Silvio Persivo é Economista com Doutorado em Desenvolvimento Sustentável pelo NAEA, escritor, poeta e professor de Economia Internacional e Planejamento Estratégico da UNIR. E-mail: silvio.persivo@gmail.com