Pazuello diz que acusação de genocida “não incomodou” e vai “mostrar tudo” a Gilmar

17 de julho de 2020 83

Da Veja:

Desde que assumiu interinamente o cargo de ministro da Saúde, há dois meses, o general Eduardo Pazuello adotou o estilo low-profile. No auge da pandemia, que já matou mais de 75 000 brasileiros, ele evita aparições públicas e foge de entrevistas. Não é timidez. Ele costuma repetir que não é médico nem político e, como militar, está em Brasília cumprindo uma missão administrativa que lhe foi dada pelo presidente da República.

Na terça-feira passada, Pazuello estava mais agitado do que o normal. As notícias do dia davam conta de que Bolsonaro teria decidido antecipar o fim da missão diante da iminência de uma nova crise envolvendo os militares e o Supremo Tribunal Federal. Três dias antes, Gilmar Mendes, ministro do STF, havia acusado o governo de adotar uma política de “genocídio” durante a pandemia em associação com o Exército. Do exagero retórico do magistrado derivou o rumor de que o presidente demitiria o general para não alimentar um novo embate com o Judiciário.

O senhor ficou ofendido ao ser chamado de genocida? Essa acusação não me incomodou. Num combate, o general de divisão é aquele que vai cuidar da sua vida e da vida da sua família. Você acha que esse general pode se sentir atingido porque um fulano falou isso ou aquilo? A missão é muito mais importante. Estou numa guerra contra uma doença que já matou 75 000 pessoas, enfrentando interesses inconfessáveis e quadrilhas que têm de ser desbaratadas. Com tantos problemas, ou se vai para Portugal ou se tenta mitigar isso tudo.(…)

 

Como foi a conversa? Ele me ligou, eu não pude atender, mas retornei depois a ligação. Foi uma conversa tranquila. Eu disse a ele: “O senhor não tem culpa alguma de ter informações tão truncadas a ponto de fazer tal declaração. Se o senhor quiser saber exatamente como é, vem me visitar”. Ele concordou e disse para nós conversarmos. Se ele entender que tem de conhecer o ministério, verificar o trabalho que estamos fazendo e assim mesmo achar que é um genocídio, é direito dele. Mas faço questão de mostrar tudo. Ele vai ver, inclusive, que não existe militarização do ministério.