Percepção interna dos militares é que ‘se meteram num atoleiro’ na gestão Bolsonaro com a pandemia
Do Estadão:
Exatos dois meses após Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Governo) terem minimizado, em coletiva, o impacto da covid-19 no País, é cada vez maior a percepção, dentro e fora das Forças, de que os militares se meteram num atoleiro. Em 15 de maio, quando a dupla de ministros-generais espremeu dados para dizer que comparações entre países deveriam ser proporcionais a suas populações, o Brasil somava quase 15 mil mortes. Desde então, mais 60 mil brasileiros morreram. É o nosso Vietnã, comparou um militar à Coluna.
Logo após a entrevista de Braga Netto e Ramos, em 15 de maio passado, médicos e cientistas disseram que o recorte de mortes por milhão de habitantes induzia a entendimentos equivocados quanto ao perigo do coronavírus.
Não deu outra. O impasse colocado neste momento, em linhas gerais, é: se deixar o Ministério da Saúde sem ter apresentado resultados expressivos, Eduardo Pazuello sairá chamuscado da experiência, e a propalada “eficiência gerencial” das Forças ficará abalada. A enorme quantidade de comprimidos de cloroquina encalhados nos laboratórios do Exército enquanto faltam medicamentos nas UTIs dá uma ideia do problema.