Peru destitui presidente José Jerí: entenda a nova crise política

18 de fevereiro de 2026 18

Nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, o Congresso do Peru aprovou a destituição do presidente interino José Jerí. A decisão ocorreu após um julgamento político acelerado, no qual o agora ex-mandatário foi acusado de má conduta funcional e falta de idoneidade para o cargo. Jerí, que ocupava a presidência desde outubro de 2025 após a renúncia do antecessor, torna-se o sétimo chefe de Estado a deixar o Palácio de Pizarro em apenas dez anos.

Resumo

  • Vacância declarada: o anúncio oficial foi feito por Fernando Rospigliosi, chefe interino do Congresso, após a votação que selou o destino de Jerí.

  • Rotatividade recorde: o Peru enfrenta uma das maiores crises de governabilidade do continente, com uma média de quase um presidente por ano desde 2016.

  • Próximos Passos: o Legislativo elegerá amanhã (18) um novo presidente do Congresso que, pelas leis peruanas, assumirá a presidência do país até julho.

  • Contexto Institucional: a destituição baseou-se na polêmica cláusula de “incapacidade moral” ou má conduta, frequentemente usada pelo Parlamento peruano para remover mandatários.

  • A queda de José Jerí não é um evento isolado, mas o capítulo mais recente de uma “dança das cadeiras” presidencial iniciada com a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski em 2018. Desde então, o país viu passar por sua sede de governo nomes como Martín Vizcarra, Manuel Merino, Francisco Sagasti, Pedro Castillo e Dina Boluarte, todos enfrentando processos de impeachment, renúncias forçadas ou prisões.

    O Mecanismo da Vacância

    O sistema político peruano permite que o Congresso remova o presidente com relativa facilidade através do processo de vacância. No caso de Jerí, a falta de uma base parlamentar sólida e as acusações de irregularidades na condução do cargo tornaram sua permanência insustentável. Para os críticos, o uso recorrente deste mecanismo criou uma “ditadura parlamentar”, enquanto para os apoiadores da medida, é a única forma de fiscalizar um Executivo frequentemente manchado por escândalos.

    O que esperar para quarta-feira

    A eleição do novo presidente do Congresso nesta quarta-feira é crucial. O escolhido não será apenas o líder do Legislativo, mas o governante de fato do Peru até o dia 28 de julho, data que marca a independência do país e, tradicionalmente, a posse de novos ciclos governamentais. A comunidade internacional e os mercados financeiros observam com cautela, temendo que a paralisia administrativa afete o crescimento econômico de um dos maiores produtores de cobre do mundo.

  • “A mesa diretora declara a vacância do presidente da República. O Peru exige idoneidade e estabilidade.”

    Fernando Rospigliosi, chefe interino do Congresso do Peru

    Com informações da AFP

Fonte: ISTOÉ