PF e PCDF buscam grupo terrorista que ameaçou Bolsonaro

31 de dezembro de 2018 315

As Polícias Federal e Civil do Distrito Federal cumprem sete mandados de busca e apreensão no DF, Goiás e São Paulo, na manhã desta segunda-feira (31/12). A investigação apura o envolvimento de um grupo terrorista na confecção e no abandono de um artefato explosivo no Santuário Menino Jesus em Brazlândia, na véspera de Natal (24/12), e que também fez ameaças de atentado na posse do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), conforme revelou o Metrópoles.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações prosseguem sob segredo de justiça. São apurados os crimes de associação criminosa, além de outros ilícitos que possam a vir a ser identificados no decorrer das ações.

A suposta organização, chamada de Maldição Ancestral, mantém um site no qual diz estar “em tocaia terrorística contra o progresso humano”. Na página da internet, são disseminadas diversas mensagens de ódio e são pregados “o caos e o terror no seio da civilização”.

O que chamou a atenção da Polícia Civil foi o fato de o grupo ter assumido a autoria do atentado em Brazlândia, inclusive postando fotos do artefato explosivo antes de ser levado à Igreja. As ameaças se estendem ao presidente eleito e outros alvos, como alvos a futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, e o presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o cardeal Dom Sérgio da Rocha.

Em trechos de um texto publicado na internet, a suposta organização criminosa diz o seguinte: “Se a facada não foi suficiente para matar Bolsonaro, talvez ele venha a ter mais surpresas em algum outro momento, já que não somos os únicos a querer a sua cabeça”.

O Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho igualmente o querem [Bolsonaro] morto e podem também recorrer a métodos terroristas para isso. Se não for ele, servirá qualquer um de sua equipe, filiados, ou mesmo apoiantes e simpatizantes. Dia 1° de janeiro de 2019 haverá, aqui em Brasília, a posse presidencial. Estamos em Brasília e temos armas e mais explosivos estocados"
Trecho de texto do suposto grupo terrorista

Intermediário
Após revelar a existência da suposta ameaça terrorista, a reportagem foi procurada na sexta-feira (28) por um intermediário do grupo – ele explicou no que consiste a organização e respondeu 10 perguntas. O homem, que se identificou como “Pedro”, encaminhou o texto via e-mail por meio de um navegador impossível de rastrear, geralmente utilizado para trafegar na chamada deep web, a parte sombria da internet composta por várias redes separadas que não conversam entre si.

Para garantir a veracidade das informações e confirmar que faz parte do suposto grupo terrorista, o intermediário encaminhou um arquivo de vídeo mostrando detalhes da bomba deixada no Santuário Menino Jesus, antes de o dispositivo ser detonado pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, na madrugada do Natal (25).

Pedro revelou que o grupo foi responsável, desde 2016, por pelo menos seis ataques em território nacional. Entre eles, a explosão de uma panela de pressão carregada com pólvora e pregos ocorrida em frente ao shopping Conjunto Nacional, em 1º de agosto, na véspera das Olimpíadas do Rio de Janeiro.

No e-mail, o homem ainda fez pouco caso das forças policiais: “Soubemos depois que tentaram nos buscar, mas a competência foi baixa e seguimos impunes e conspirando”.

Alto poder de destruição
Na madrugada de terça (25), uma pessoa que passava em frente à igreja de Brazlândia estranhou a presença de uma mochila deixada ao lado do Santuário Menino Jesus e acionou a Polícia Militar. Após a PM verificar que se tratava de um artefato explosivo, o Grupo Antibomba do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi mobilizado. Depois de isolar as ruas próximas do templo, o material foi detonado, por volta das 4h.

Segundo o Bope, tratava-se de um artefato com considerável poder de destruição. O dispositivo era formado por um cilindro de extintor de incêndio composto por pólvora e pregos, além de um detonador movimentado por um relógio. O suposto grupo extremista reivindicou a autoria do atentado.

“Nós reivindicamos o abandono de um explosivo de 5 kg recheado de pregos e pólvora negra no Santuário Menino Jesus, desta vez em Brazlândia, por volta das 21h20. O santuário é o segundo maior templo católico do país. No local, que estava lotado de cristãos miseráveis, era celebrada uma missa de véspera de Natal, e esperávamos provocar um grande massacre durante a saída dos fiéis da igreja. Desgraçadamente, uma grande operação do Bope desativou o nosso explosivo após uma pessoa suspeitar da mochila abandonada e acionar a polícia”, narra texto publicado na internet.

De acordo com o funcionário do santuário onde a bomba foi detonada Jaime Francisco, 58 anos, uma missa foi realizada no templo no dia em que o artefato seria explodido. Segundo o trabalhador, havia cerca de 1 mil pessoas. No entanto, a ameaça aconteceu horas mais tarde. “Já não tinha mais ninguém aqui. Foi após a missa e o local estava fechado. Alguém viu a mala na rua e acionou a polícia. Agora estão investigando”, disse.