Poder, fama e assédio: quando homens influentes transformam seus status em arma contra as mulheres
Psicanalista Ana Lisboa aponta como a sociedade continua culpabilizando vítimas e blindando agressores em casos de assédio cometidos por figuras públicas
Os recentes casos de assédio no Brasil e no mundo envolvendo figuras influentes do cenário político e empresarial revelam um padrão profundamente enraizado na sociedade: o uso do poder e da posição de destaque para subjugar e violar mulheres.
Esses homens, protegidos por suas credenciais, acreditam estar acima das consequências, agindo como se sua fama e prestígio pudessem blindar contra acusações. A psicanálise tem apontado que esses agressores operam por uma lógica perversa, em que sua autoridade serve como justificativa para atos violentos e abusivos.
A situação não se limita ao Brasil. O caso Harvey Weinstein, ex-produtor de filmes norte-americano condenado por crimes sexuais, por exemplo, que explodiu nos Estados Unidos, revelou uma estrutura de poder que perpetuava o silêncio e a impunidade em Hollywood.
No Brasil, vivemos recentemente o episódio envolvendo Silvio Almeida, Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania do País, em que a denúncia de assédio contra uma mulher jovem evidenciou a maneira como a sociedade ainda responde de forma hostil às vítimas.
"Mulheres que ousam quebrar o silêncio e denunciar homens poderosos são frequentemente tachadas de 'aproveitadoras', buscando ganho fácil através da exposição. A reação pública, ao invés de questionar o agressor, muitas vezes vira o foco para a moralidade da vítima, como se a postura da mulher fosse determinante para o ato de violência que sofreu. Esse julgamento cruel expõe uma lógica cultural que desumaniza a mulher e protege o agressor", alerta a psicanalista.
Em análise de casos como esse, é importante destacar a maneira como o abuso de poder e o assédio sexual estão profundamente conectados com questões de dominação e controle. "Homens que ocupam posições de destaque frequentemente enxergam as mulheres como objetos que podem ser manipulados a seu bel-prazer. A fama, o dinheiro e a autoridade social criam uma sensação de invulnerabilidade, na qual o agressor acredita que sua reputação é inabalável. A perpetuação desse ciclo de violência só será interrompida quando houver uma verdadeira responsabilização dos agressores, independentemente de sua posição ou status", afirma a especialista.
De acordo com Lisboa, que já atuou como advogada, mesmo em face de evidências e testemunhos contundentes, muitas vezes o sistema jurídico e a opinião pública parecem proteger esses homens. As vítimas se veem isoladas e silenciadas, suas palavras descredibilizadas por uma estrutura que prefere manter intocada a imagem de figuras públicas. O problema, no entanto, vai além do indivíduo agressor: ele reflete uma falha sistêmica em lidar com o assédio sexual de forma eficiente e justa.
"A verdade é que a sociedade ainda está presa a uma visão arcaica, em que o comportamento feminino é incessantemente vigiado, e qualquer falha nesse padrão é suficiente para justificar uma agressão. As mulheres, mesmo após denunciarem, ainda carregam o peso da suspeita e da vergonha, enquanto seus agressores continuam a ocupar posições de prestígio, blindados por uma rede de apoio e silêncio", conclui a psicanalista.
Segundo a psicanalista, a discussão em torno de assédios cometidos por homens poderosos precisa urgentemente sair do ciclo de culpabilização da vítima e avançar para uma responsabilização efetiva. “Caso contrário, o status continuará a ser uma arma perigosa, usada para intimidar, violar e silenciar”, lamenta.
Ana Lisboa @analisboa
Psicanalista, líder do maior movimento de Feminino e Mentalidade do Mundo, Ana Lisboa é especialista em construção de comunidades e terapias sistêmicas, sendo pioneira em grandes movimentos na história das Constelações Familiares, tanto no Brasil como na Europa. Atualmente, após impactar milhões de vidas em suas redes sociais e possuir uma comunidade de mais de 32 mil alunas em 41 países, Ana ensina mulheres a usarem sua potência máxima para conquistarem dignidade e liberdade. Professora, Palestrante, Advogada, Empresária, mestranda em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Universidade de Lisboa, especialista em Direitos das Mulheres, com quase uma década de aprofundamento nos conhecimentos sistêmicos, é fundadora do Movimento Feminino Moderno e CEO do Instituto Conhecimentos Sistêmicos.
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PAINEL POLITICO (ALAN ALEX)
Alan Alex Benvindo de Carvalho, é jornalista brasileiro, atuou profissionalmente na Rádio Clube Cidade FM, Rede Rondovisão, Rede Record, TV Allamanda e SBT. Trabalhou como assessor de imprensa na SEDUC/RO foi reporte do Diário da Amazônia e Folha de Rondônia é atual editor do site www.painelpolitico.com. É escritor e roteirista de Programas de Rádio e Televisão. .