Por que a federação União Brasil-PP avalia possibilidade de ficar neutra na eleição

13 de fevereiro de 2026 19

O lançamento da federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, foi anunciado com pompa e circunstância no início de setembro do ano passado, no Salão Verde da Câmara, como sendo um marco de rompimento das duas legendas de centro-direita com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao anunciar o casamento das duas siglas que formariam a maior bancada na Câmara, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Antônio Rueda, do União Brasil, presidentes das siglas, também reafirmaram a postura de oposição e exigiram o desembarque imediato de ministros filiados aos dois partidos dos cargos que ocupavam na Esplanada.

De setembro do ano passado até agora muita coisa mudou na política, sem que a federação fosse realmente homologada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Nesse contexto, membros das duas siglas passaram a questionar a viabilidade de se efetivar uma coligação que, pela legislação, não poderá ser desfeita em menos de quatro anos. A depender das posições tomadas pela cúpula da federação, esse formato poderá engessar alianças em diversos estados.

Os membros do partido esperam a decisão da ministra Estela Aranha, do TSE, no próximo dia 24. Nos bastidores, no entanto, parte dos integrantes torcem para que a união não seja consumada. “Realmente isso tem dado muito problema e o que os filiados querem é liberdade para se coligarem sem nenhuma amarra, respeitando as realidades regionais”, disse um membro do União Brasil, sob reserva.

Diferente do clima imposto no anúncio em setembro, hoje não há mais a sanha oposicionista de sete meses atrás. Parlamentares já ensaiam uma reaproximação com Lula. Sem descer ao nível da política local, os últimos movimentos de Ciro Nogueira e de Antônio Rueda são exemplos dessa mudança.

Na busca de apoio no Piauí, o senador parou com ataques a Lula nas redes socias, se reuniu com o petista, fora da agenda, na Granja do Torto e, de acordo com membros do PP, aceita deixar o partido neutro para alianças.

Flávio Bolsonaro
Antes do anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Ciro era um dos principais fiadores do nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para o Palácio do Planalto. Desde então, ele deixou de defender a entrada de Tarcísio na corrida pela presidência. “A contar por hoje, a tendência é que os dois partidos fiquem neutros, sem apoiar ninguém”, disse o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE).

Ciro também não levou o partido para o projeto eleitoral de Flávio, alegando que espera dele uma postura mais amena em relação ao comportamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que avalizou o nome do filho para a corrida presidencial. 

Outro sinal de flexibilização da posição com o governo se deu com uma reunião entre Rueda e o presidente do PT, Edinho Silva, para tratar de cenários regionais e possíveis composições.

 

Fonte: Luciana Lima