POR QUE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA É UM CRIME CONTRA A POPULAÇÃO?
Estufar o peito e dizer que alguém “vai colocar o país em ordem” é um falatório no vazio de quem não sabe exatamente do que está falando. Provavelmente a pessoa fica impressionada com essa frase de efeito: “Colocar as contas em ordem”. Dizer que “alguma coisa ficará em ordem” costuma deixar muita gente sossegada. Mas o nível de entendimento das coisas não pode ser de natureza “emocional” ou baseada em “impressões”. A vida em sociedade precisa ser compreendida de forma séria se um dia queremos viver em um Mundo melhor. A pessoa que defende as reformas ultraliberais deve achar, talvez, que a administração do país seja análoga ao pagamento de boletos e portanto, não sabe o que está havendo. Veja que estamos diante de um comportamento irracional.
Infelizmente não é tão simples assim. Na década de 1990, em plena reestruturação neoliberal do país, surgiu a ideia de que a Vale do Rio Doce precisava ser privatizada urgentemente para “salvar as contas públicas”. Esse mantra foi repetido várias vezes na rádio, nos jornais, telejornais e até no boca-boca diário. Aproveitando o “climão”, o governo FHC conseguiu apoio mínimo no Congresso para aprovar a privatização de uma empresa de mineração valiosíssima do país. Cerca de 20 anos depois o Brasil já estava quebrado de novo! Não era a venda da Vale que salvaria o país? A Vale pra quem não sabe era uma das joias do país, uma empresa que já na década de 1990 valia algo em torno de trilhões de dólares (foi negociada a preço de banana). Agora o falatório é pela privatização da Previdência, da Petrobrás, da Educação, da Saúde e de todo o patrimônio nacional. A privatização da Eletrobrás, da Embraer, da BR Distribuidora, dos campos de pré-Sal e etc caso vendidas ao preço que valiam efetivamente, salvaria grande da Previdência do país. Entretanto não temos se quer um ano depois dessas operações de “lessaire fair” econômico criminosas e a tônica permanece: “colocar as contas em dia”. Algo está errado.
Seria mais ou menos você vender sua casa para pagar uma dívida. Vende a casa abaixo do valor pra conseguir vender e de repente a dívida anterior dobra…..Agora você fica sem casa e com o dobro da dívida para pagar. A solução seria vender o que agora? A mãe? É muita ingenuidade….é muito triste ver um povo completamente cego sem saber exatamente o que está havendo dando APOIO efetivo de quem assalta o país. Como o falatório “bonito” vale mais que a Razão, então entramos numa ceara onde vale tudo. Isso é a Barbárie prevalecendo sobre o processo Civilizatório.
A Reforma da Previdência, que na prática resulta no fim da Previdência Social do Brasil não é “planejamento de futuro”. Toda e qualquer argumentação dessa natureza esconde o verdadeiro núcleo da questão que não é meramente envelhecimento da população, longevidade, queda na taxa de natalidade, queda na PEA (população economicamente ativa) e etc…nada disso. Esses dados existem EFETIVAMENTE, mas não são a motivação central para o fim da Previdência e nem ao menos são o fator que provoca essa “urgência” pela reforma.
Acabar com a aposentadoria do Brasil, que é um crime hediondo, na realidade atende a dois interesses: garantia de ampliação da taxa de exploração do trabalhador em médio/longo prazo (no que chamamos de Capital variável) e enorme aumento dos ganhos especulativos de curto e médio prazo negociados em mercado de ações. Em outras palavras, além da reforma ser feita pra virar contra-tendência temporária do Capital, ela também serve pra virar ganho especulativo no Casino dos mercados de ações.
Essas duas coisas são contra-tendências do Capital colocadas em prática no Mundo após a Grande Crise Financeira Global de 2008 que é um aprofundamento da já gravíssima Crise Estrutural de longo prazo que se estende de 1973 aos dias atuais. Não é uma ação política que busca trazer “bem-estar geral” das pessoas. São decisões que buscam salvar o sistema econômico (da qual a maior parte da Humanidade não participa) da queda na taxa tendencial dos lucros em viés de baixa desde a crise de 1973 que se aprofundou em 2008. É pra garantir lucros do Capital especulativo e salvar a Indústria da sua enorme crise sistêmica uma vez que o Capital constante já é muito maior que o Capital variável, o que amortiza os lucros da indústria.
O povo brasileiro só precisa entender uma coisa: este país está sendo assaltado. E, uma parcela, sem compreender a dinâmica do processo vira apoio ativo dos assaltantes. A pergunta é: Por que? Como? Até quando?
Eduardo Morelli