Por que o governo evita dar importância à audiência nos EUA sobre tarifas

7 de julho de 2026 23

A audiência pública com empresários brasileiros nos Estados Unidos contará também com a participação de representantes do governo Lula, que optaram por acompanhar o evento sem fazer intervenções. Eles devem ficar apenas na escuta.

Isso porque a diplomacia brasileira entende que as negociações já seguem em uma instância apropriada, conduzida por membros dos dois dois governos no âmbito da investigação 301, que trata das tarifas aplicadas a produtos de exportação do Brasil.

A audiência começou nesta segunda-feira, 6, e termina nesta terça, 7, última etapa pública da investigação comercial aberta pelo governo americano antes da aplicação das tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor no dia 15 de julho. Pré-candidato do PL ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (RJ) também participará do segundo dia de reunião e deve fazer um discurso.

A ideia do governo brasileiro é que membros da embaixada em Washington colham as reclamações que serão apresentadas pelos empresários na audiência, mas sem avançar na negociação. “A audiência pública não é espaço de negociação entre os Estados e sim de ouvir a sociedade civil, o empresariado e outros setores interessados”, disse um membro do governo brasileiro diretamente envolvido nas conversas com os EUA.

Aguardando a resposta
Diplomatas brasileiros dizem que as negociações estão na “reta final” e que aguardam para os próximos dias uma resposta aos questionamentos feitos às razões alegadas pelos Estados Unidos para aumentar as tarifas.

“Nós fizemos uma proposta de encaminhamento, estamos aguardando os americanos responderem”, disse um integrante da equipe de Lula. Pelo menos seis pontos foram questionados pelo governo brasileiro, que considerou as alegações “frágeis” mas indicou que o Brasil está disposto a retomar as conversas.

Um exemplo de questionamento está relacionado aos números do desmatamento. “São conhecidos os dados de redução drástica do desmatamento na Amazônia nos últimos três anos, por exemplo, isso é incontroverso”, disse um membro da diplomacia brasileira.

Fonte: Luciana Lima